Foto: Acervo Pessoal - Thaise Coutinho

Especialista em Psicologia do Esporte pela PUC-RS, Thaise Coutinho foi Psicóloga do EC Vitória e já atuou em projetos sociais esportivos e no esporte de alto rendimento com modalidades como futebol, judô, remo e esportes digitas como League Of Legends. Além de ser membro dos Grupos de Trabalho de Psicologia do Esporte (GTPES) no Conselho Regional de Psicologia da Bahia.

A Psicologia do Esporte é ampla e quem atua nessa área pode trabalhar no esporte de alto rendimento, educacional, de participação (nas academias, por exemplo), além de projetos sociais esportivos e da reabilitação. “Além disso, pode optar pela acadêmica, com pesquisas ou ensino em cursos de graduação/pós-graduação em Psicologia ou Educação Física”, completa Thaise.

“No esporte de alto rendimento, visa-se desenvolver atividades relacionadas à formação das (os) atletas, à sua saúde mental e ao desempenho esportivo. E todo o trabalho deve estar associado ao diálogo com a equipe multidisciplinar”.

Evento do Grupo de Trabalho de Psicologia do Esporte / Foto: Acervo Pessoal – Thaise Coutinho

Desafios da Psicologia no futebol

Para nossa entrevistada o maior desafio é: “desmistificar algumas questões em relação ao papel da Psicologia. No futebol há uma série de problemas que são gerados pela falta de conhecimento do papel e possíveis contribuições da psicologia no esporte”, declara Thaise Coutinho.

Dentre as mais diversas crenças, ela destaca:

  • Sera realizado um trabalho clínico no clube e permanecerá em sua sala para aguardar os jogadores, “bater um papo” e lhes dar conselhos
  • Trabalha apenas com aqueles atletas que apresentam demandas específicas, como o uso de substâncias psicoativas e processos de luto
  • Deve auxiliar realizando trabalhos pontuais, em vésperas de jogos decisivos
  • Divulgará informações passadas pelos atletas para outros profissionais do clube

O trabalho precisa ser desenvolvido desde a pré-temporada, como ocorre com as preparações física, técnica e tática e não apenas em momentos pontuais. Alguns aspectos que passam pela intervenção são: a saúde e o bem-estar, transições de carreira, nível de concentração, a comunicação interpessoal e intrapessoal e as estratégias psicológicas no processo de reabilitação de lesões.

Em relação às informações obtidas, nossa entrevistada reitera: “a preservação do sigilo é um dos pontos primordiais no relacionamento com atletas e a equipe como um todo, além de estar presente no nosso código de ética”.

Lançamento da TV Kirimurê / Foto: Acervo Pessoal – Thaise Coutinho

Desafios de uma mulher ao trabalhar no futebol

O esporte no geral apresenta desafios tanto para atletas quanto treinadoras, árbitras, gestoras, torcedoras, jornalistas, e profissionais da comissão técnica ou qualquer outra mulher que esteja envolvida de alguma forma neste cenário. E no futebol não é diferente.

O âmbito esportivo como um todo apresenta desafios para as atletas, as treinadoras, as árbitras, as gestoras, as torcedoras, as jornalistas, as profissionais da comissão técnica ou qualquer outra mulher que esteja envolvida de alguma forma neste cenário. E no futebol não é diferente. “É um ambiente machista e sexista, em que vivenciamos dificuldades, resultado de visão errada de que este não é um esporte para mulheres”, lembra.

“Explicações óbvias sobre aspectos da modalidade; salários inferiores; reações diferentes para erros que também foram cometidos por homens nas mesmas circunstâncias; falta de respeito e de valorização; dificuldades para permanecer em cargos decisórios, mesmo diante das nossas capacitações; falta de visibilidade da mídia ou visibilidade ao corpo “feminino”, e não às conquistas esportivas”.

Em um meio que homens sempre foram maioria, ouvimos diversos comentários machistas, disfarçados como “piadas”, o que causa um total desconforto no cotidiano. Para a psicóloga alguns comportamentos já estão “naturalizados”, “nem sempre o sexismo é identificado de imediato. Isso tudo é muito incômodo e quanto mais nos damos conta, mais desagradável é vivenciar esse tipo de situação”.

A psicóloga Thaise Coutinho faz uma alerta as homenagens realizadas pelos clubes e questiona quando estas questões farão parte de fato do dia a dia dos mesmos:

“São atos bem elaborados e muito válidos, pois passam mensagens importantes para um grande público, mas não adianta apenas propagar ideias e não colocá-las em prática no seu próprio contexto. É preciso desenvolver estratégias e ações dentro das instituições esportivas e essa construção/desconstrução passa pelo envolvimento de todas e todos. Por isso, é essencial estarmos atentas (os) aos discursos discriminatórios presentes, pensarmos no nosso papel nesse processo de desconstrução e também realizarmos uma autorreflexão sobre nossa prática e nossos comportamentos”.

 

*Edição: Fernanda Barros / Paulo Victor – @turbilhaofeminino

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