Foto: Jonathan Sousa/Resenha na Rede

Resenha na Rede – Qual a diferença entre o Morganti Ju-jitsu e o Bjj desenvolvido pelos Gracies?

Renilton Santos – Bom, se você olhar na escrita não tem diferença. A gente colocou o Ju-jitsu porque o pessoal lá fora pronúncia muito “Ju-jitsu”, aqui no Brasil que se pronuncia mais o jiu – jitsu. Na prática quando o ju-jitsu saiu da Índia e chegou no Japão, ele chegou (segundo os relatos antigos) sem ter o combate com as mãos, combate com os pés e o chão, então em cima disso o Ricardo Morganti desenvolveu o Morganti Ju-jitsu com as três fases de luta. Então, na prática seria uma luta mais completa.

RR – Por que os lutadores do Morganti ju-jitsu não participam mais de campeonatos organizados por Federações do jiu-jitsu tradicional?

RS – Bom, veja só: nos campeonatos do Morganti ju-jitsu, os atletas participam dos campeonatos da nossa Federação, a gente não participa de outros campeonatos. Já temos aí 11 estados, temos três ou países países com o Morganti, então temos atletas para participar da nossa Federação, não precisamos estar participando de outras Federações. Já participamos, a um tempo atrás… A gente participou da “IGI”; ela é americana, inclusive participamos dos mundiais no Canadá, na Inglaterra, África do sul e Argentina. Em 2010 com o crescimento do próprio Morganti a gente parou de participar de outras Federações, e passamos a focar só na nossa.

RR – Como o Morganti Ju-Jitsu surgiu em sua vida e quais os ensinamentos ele te trouxe?

RS – Eu dei baixa no Exército aqui em Salvador em 94, quando saí da instituição fui para São Paulo e lá no local onde trabalhava tinha um grupo de seguranças de elite, eles tinham como a arte marcial o Morganti ju-jitsu e o próprio Ricardo Morganti que dava aula para esse grupamento. Imediatamente, com três semanas de trabalho e de treino com o Ricardo Morganti, eu fui logo para sede e lá treinava a parte obrigatória e realizava também o treino livre. Então, resumindo, era rato de academia e fechava lá de segunda à sexta, sem choro.

RR – Sabemos que as artes marciais não são apenas lutas físicas, elas envolvem também muita disciplina e valores. Quais os valores que o praticante do Morganti Ju-jitsu precisa adquirir na caminhada dele como atleta?

RS – Como atleta e na vida dele, essa parte da hierarquia, da disciplina, do bom filho, o respeito ao próximo, o amor ao próximo, disso a gente não abre mão. A gente costuma dizer o seguinte: somos todos irmãos, todos amigos, no tatame cada um vai lá e faz seu trabalho, mas desrespeitar nem no sonho. Não existem palavrões, você pode torcer mas sem ofender; não existe não cumprimentar o adversário, é um irmão de faixa. É tanto que os nossos eventos, principalmente os brasileiros e os mundiais são uma festa no final, a gente fecha uma churrascaria e dá aquele show. Porque a irmandade e a amizade  vêm em primeiro lugar.

RR – Como você vê a importância do exame de faixa na modalidade Morganti ju-jitsu ?

RS – É igual o semestre na faculdade. Você não passou no semestre, não estudou e o tempo foi em vão. Então para medir o seu conhecimento, a nossa forma de julgar é como o método oficial do MEC. O conteúdo é passado, você passa por provas, o nosso também é assim. Até a faixa roxa são a cada quatros meses. Três  vezes por ano, o aluno tem o conteúdo, os golpes e tem o conteúdo pela escrita também. Ele faz uma prova escrita e faz uma prova prática, ele tem que obter uma certa média considerável. Não obtendo ele é reprovado. A gente não mede ele como competidor, ou seja, se você ganhou campeonato. A gente mede pela forma oficial.

RRComo é feito o trabalho com os jovens que chegam querendo praticar a arte?

RS – Nós falamos assim, “Se não tem iniciante, não está chegando gente”. Quando você olha aquela tropa de gente treinando tem que ter faixa branca. Todo cuidado é pouco, não tem negócio de colocar o cara lá pra se ferrar não, negativo. Então tem que ter o passo a passo, ensina tudo na maior calma e tranquilidade, tem que proteger o aluno, gradativamente ele vai crescendo.

RRQual a maior dificuldade que a associação encontra na busca por parcerias?

RS – Se é pra fechar um ginásio, se tem dificuldade com valores, dificuldades com quem vai te ajudar, se é pra tirar da taxa de inscrição, de repente aquele valor não bate mais. Campeonatos que chegamos a gastar 5 mil para organizar e quando vai arrecadar não arrecadou aquilo ali, porque você quer fazer um evento bacana, você paga o ginásio, você paga pelo caminhão, você compra a água, tudo ali é comprado. Se o comércio abrisse mais a mente, não estou falando de dar em dinheiro, mas em realizar parcerias. Seria melhor para conseguir o caminhão com apoio, a água, o ginásio. As vezes você deixa de fazer vários eventos para encurtar isso aí. Como exemplo, fiz esse ano o circuito nas academias… Não precisaria ter esse custo com ginásios e etc.

RR – Nos conte sobre os eventos que a associação participa aqui na Bahia e a importância da participação nessas competições.

RS – Bom, os Brasileiros são feitos em outubro, isso já é uma agenda nacional, onde todas as associações são obrigadas a comparecerem. Campeonatos locais, geralmente fazemos três eventos. Seria um em março, um próximo ao Brasileiro e o outro para fechar o ano. Esse ano, como já disse, fizemos nas academias um evento também. Eu achei tão legal que a gente pega aquele pessoal que tá passando próximo a academia, as vezes nem sabendo, o pessoal já entra, já enche o local. Vamos fazer um dia 10 de setembro, no ginásio do Clube dos Bancários, nos Aflitos. Em Outubro estamos indo para Goiânia e no retorno, lá para Novembro, vamos fazer a 2° etapa desse circuito que eu gostei… Vamos divulgar aí para aquele pessoal que ta de bobeira passando pela academia, já olhar e já encostar para assistir.

RRQual a importância da mídia divulgando o trabalho do morganti, das artes marciais e os demais esportes?

RS – A mídia no geral só corre atrás do cara que está no topo. O futebol que está no topo, o atleta que está no topo; agora para aquele atleta chegar no topo precisa da mídia cobrindo ele lá atrás, lá em baixo. Então o que acontece de esporte nos municípios, nos Estados, nas regiões, o que acontece de esporte que não é divulgado é muito. Muitas vezes você tem atleta bom e não é divulgado. Ótimos professores, ótimos atletas, ótimas artes, no esporte em geral muito atleta que rala, que treina, está ali ralando, está ali buscando o seu espaço, mas chega um, mil  fica pelo caminho.

parceiro oficial

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui