Resenha na Rede: Como surgiu a ideia do projeto, e como ele funciona?

Délio Lima: A ideia do projeto surgiu da necessidade da nossa comunidade. Um dos bairros mais perigosos de Salvador, a Lagoa da Paixão, onde nós já perdemos várias crianças para o tráfico de drogas, para o crime. Então diante de todas as necessidades e mazelas que acontecem na sociedade, como atleta, tive a ideia de criar algo para fazer a minha parte, apenas isso, dar a minha contribuição social para a minha comunidade. Fiz uma feijoada na comunidade, arrecadei o valor e comprei umas placas de tatame para começarmos os treinos. No começo era eu e mais duas pessoas e depois foi entrando mais gente, a partir do momento que a comunidade percebeu a seriedade do trabalho. Hoje temos mais de 180 (cento e oitenta) crianças e adolescentes treinando conosco.

Resenha na Rede: Existe uma idade estipulada para entrar no projeto? Como funciona essa recepção?

Délio Lima: Temos uma faixa etária para atendimento no projeto, que é de 4 – 17 anos. Mas quem estiver disposto a treinar, atendemos.

Resenha na Rede: Hoje o projeto é ligado a alguma grande equipe de Jiu-Jitsu?

Délio Lima: Como competição, nós fazemos parte da equipe Edson Carvalho. Contudo, o nosso foco é a causa, não a equipe. Claro, é importante estarmos filiado a uma equipe, mas o foco principal é a questão do esporte, não levantamos bandeira, tanto que frequentamos campeonatos de várias federações.

Resenha na Rede: Qual a importância de um campeonato, como o Baiano de Jiu-Jitsu, organizado pela Federação Baiana de Jiu-Jitsu e MMA, para um projeto como o de vocês?

Délio Lima: Ter uma parceria com a Federação Baiana de Jiu-Jitsu e MMA é muito importante, porque 90% das pessoas que praticam esporte em nosso projeto, não teriam condições de arcar com as inscrições em um evento. Portanto, essa é a importância de a Federação fazer parceria com projetos sociais, afinal, nós participamos dos campeonatos através de doações. De cada dez alunos que colocamos no projeto, um ou dois pagam inscrição. O restante compete através de parcerias, até porque não é só a questão da inscrição, tem de haver toda uma logística para trazer os meninos para competição e conseguir alimentação.

Nesse evento só conseguimos trazer 13 atletas, minha vontade era trazer 100, como conversei com o presidente da Federação. Mas tem que existir uma logística e apoio, infelizmente não tenho condições de fazer, a minha condição é disponibilizar meu tempo, junto com os outros professores e ensinar o esporte.

Infelizmente não tenho condições financeiras para trazer mais atletas. Por exemplo, as vezes você ver uma criança dessa dando risada aí, mas por vezes, ela não tomou nem café da manhã. Essa é a realidade que a gente vive.

Resenha na Rede: Hoje qual ajuda seria bem-vinda ao projeto?

Délio Lima: As nossas demandas são muitas, mas eu coloco como prioridades e hoje, uma delas, é participar das competições. Temos um aluno lá no projeto que participou de dezessete campeonatos e em dezesseis foi campeão, só ficou em terceiro no mundial.

Nós temos lá talentos brutos, que precisam ser levados para competições. O campeonato é uma vitrine, hoje mesmo fechamos uma parceria com a Kamui (marca de quimonos), eles vão patrocinar um atleta para disputar o sul-americano.

O campeonato é a visibilidade do atleta. A mídia e o marketing são importantes para gente divulgar o trabalho que é feito na comunidade.

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