Zaluar: Vitória da Conquista, Árabes, Juazeirense e planos para 2019

Zaluar explicou como vai funcionar a parceria com o clube baiano, qual será seu papel nela, sua passagem pela Juazeirense e os planos para 2019

Foto: Divulgação/ECPP

@ResenhaNaRede

Recentemente, o Vitória da Conquista anunciou uma parceria com clubes Árabes, através do técnico Luís Antônio Zaluar, que intermediou a vinda dos jogadores para o clube do sul do Estado. Quatro atletas do Al-Wehda, da Arábia Saudita, time treinado pelo brasileiro Fábio Carille, desembarcaram em Vitória da Conquista para um período de testes no Bode.

O volante Alla, o lateral-direito Khalid, o meia Mahmoud Sammour e o zagueiro Abdulhaman. Além deles, o Treinador Fawzi, permanecerá na cidade por uma semana.

Foto: Luciana Flores

Em entrevista ao Resenha na Rede, Zaluar explicou como vai funcionar a parceria com o clube baiano e qual será seu papel nela, sua passagem pela Juazeirense e os planos para 2019.

Durante a conversa, o treinador fez questão de ressaltar que a parceria não será apenas com o Al-Wehda, mas, também, com mais outros cinco clubes do Catar e Emirados Árabes. Ele contou que, no período em que ficou por lá, fez um contato muito forte com um agente FIFA, que mexe com jogadores estrangeiros e locais também.

“Me foi pedido a vinda de quatro jogadores sauditas para ficar um período aqui no Brasil, eu procurei alguns clubes, mapeei alguns lugares pelo custo benefício e eu tinha um contato muito bom com o Ederlane e a estrutura do Vitória da Conquista, um clube que tem campo de treinamento, tem estrutura, tem alojamento. Ederlane sempre foi um cara muito correto”, explicou Zaluar.

Parceria Árabe

Para Zaluar, sempre houve um fluxo de jogadores brasileiros irem jogar na Arábia Saudita, mas, nessa temporada, houve muitas mudanças na legislação Saudita na parte de futebol, o que acarretou para que o ministro local estendesse para oito jogadores estrangeiros em cada clube na primeira divisão e oito na segunda, e acabando com um campeonato que já durava muito tempo por lá, o Campeonato Sub-23.

Inicialmente, os jogadores estavam no Rio de Janeiro treinando pelo Barra da Tijuca, mas o clube encerrou suas atividades na segunda divisão e foram levados para o Vitória da Conquista.

“O que aconteceu é que muitos desse jogadores jovens, que saíam do júnior e jogavam nesse sub-23, ficaram ociosos dentro dos clubes pela chegada de muitos estrangeiros por lá. Então, a gente entrou em contato, tinha algumas possibilidades e houve o interesse do Vitória da Conquista. Foi a escolha, pelo interesse do Ederlane a gente fez essa parceria, eu levei os jogadres lá, apresentei, fiquei alguns dias lá, pelo fato de eu falar árabe também facilitou, eu já conhecia o futebol baiano, depois do período que estive na Juazeirense”, contou.

Ainda de acordo com o treinador, a intenção da parceria é estreitar a relação tanto com o presidente do clube, Ederlane Amorin, quanto com o Vitória da Conquista. E que os jogadores fiquem no Bode, a princípio por 2 meses, mas possa ter seus vínculos estendidos, caso alguns deles se destaquem e possam ser aproveitados no plantel de profissionais.

“Está sendo salutar para todo mundo. O Ederlane tem uma visão muito parecida com a minha e está investindo na base também. Acho que é o caminho. Sem dúvida nenhuma, o interior da Bahia é um celeiro de craques. Os jogadores estão muito entusiasmados, estão treinando bem, acho que isso divulga a marca do Vitória da Conquista internacionalmente. Repercutiu muito lá na Arábia Saudita, o fato de jogadores árabes virem jogar no Brasil”, completou.

Passagem pela Juazeirense

Questionado sobre qual sua avaliação no período em que esteve a frente da Juazeirense, no Campeonato Baiano e no Brasileiro da Série C, Zaluar não fugiu das respostas, enalteceu o grupo de jogadores que comandou e indicou os pontos de deficiência da equipe de Juazeiro.

“A avaliação, acho que o campeonato baiano, os números falam por si só, a Juazeirense foi muito bem representada apesar da pouca estrutura. Acho que a Juazeirense é um clube carente em termos de estrutura. Tem uma logística complicada lá no dia a dia, mas pelo grupo de jogadores, pelo ambiente que se criou lá, a gente fez um campeonato baiano excepcional. Eu dou os méritos maiores ao grupo de jogadores que estavam muito comprometidos com o nosso trabalho”, disse.

Foto: Ascom/Juazeirense

Zaluar acredita que a Juazeirense chegou ao 3º lugar no Baianão com méritos, além de ter classificado o time para a Copa do Brasil de 2019 e na pré-copa do nordeste, mais tarde sendo eliminado pelo Salgueiro-PE.

“Acontece que a Juazeirense apesar do bom time que tinha e dos resultados que estava alcançando, ela é muito carente de estrutura. Depois do campeonato Baiano, eu fiz uma avaliação para a diretoria, para o presidente, indicando que a realidade da Série C era muito mais complexa do que o campeonato estadual, eu alertei isso a ele”, explicou.

O Campeonato Brasileiro da Série C era dividido em dois grupos de dez times, o grupo da Juazeirense tinham quatro campeões estaduais. Zaluar acredita que isso dificultou a disputa para o Cancão de Fogo.

“Então, evidentemente tinha que ser revisto a questão de reforços, de ter um grupo mais competitivo, com uma estrutura melhor, já que o nível de competitividade ia ser muito maior, mas acho que infelizmente até pelo momento que a Juazeirense estava, a questão financeira também pesou, não se conseguiu fazer muita coisa em termos de mudanças”, completou.

Zaluar foi desligado após 13 jogos no comando da Juazeirense – 11 pelo Campeonato Baiano, um pela Série C e um pela seletiva da Copa do Nordeste – conquistou seis vitórias, dois empates e duas derrotas. A demissão se deu após um empate por 1 a 1 com o Sampaio Corrêa, em casa, pela fase preliminar da Copa do Nordeste.

“Essa saída nossa no início assim, para falar a verdade, eu não fiquei muito feliz com ela, até porque eu acho que não era o caminho depois de duas rodadas só, ter tomado uma atitude como essa, mas foi avisado a eles que precisaria ter havido um investimento maior em estrutura porque a Série C é um campeonato muito mais longo, são 19 jogos na fase inicial, são meses, não é um campeonato curto como é o Baiano. Infelizmente aconteceu, foram três treinadores, e não se mudou muito a nível de estrutura, o que aconteceu foi o que aconteceu [o rebaixamento]. É uma pena. Fico triste principalmente pelos jogadores. Tinha um grupo de jogadores muito interessante, alguns até podem ser que venham a trabalhar comigo novamente”, disse.

Zaluar finaliza afirmando que os clubes que investem em estrutura e na base, tendem a crescer futuramente, indicando o caso do Vitória da Conquista, do Fluminense e do Bahia de Feira, clubes que estão investido mais, e diz que teria que ser o caminho da Juazeirense.

“Infelizmente não foi o que foi o escolhido. Mas, sobre a nossa participação, eu tenho orgulho de ter colocado 10 jogadores da equipe sub-20 para treinar no profissional, 2 jogaram o Campeonato Baiano, coisa que não acontecia normalmente por lá. Depois da nossa saída, acho que só ficou um jogador do sub-20. Há um ou dois jogadores treinando com os profissionais, foram feitas algumas contratações que infelizmente não deram certo e aconteceu o que aconteceu”, disse.

Ele diz que foi um prazer participar do Campeonato Baiano, ainda mais sendo destaque. Conheceu novos clubes, fez muitos contatos, inclusive com o Vitória da Conquista. Por fim, se diz feliz em ter dado a sua contribuição, mas infelizmente não houve continuidade no projeto e agora verá o que vai acontecer futuramente.

Planos para 2019

Sem comandar outra equipe desde que saiu da Juazeirense, Zaluar retornou ao Rio de Janeiro para o acompanhamento na recuperação do seu pai, por conta de um problema de saúde. Mas não hesitou em falar de futuro.

“A gente está começando a trabalhar normalmente as possibilidades. Existe a possibilidade de retornar ao mundo árabe. Tenho alguns contatos por lá. Também recebi um convite aqui para o Rio de Janeiro, para fazer o Campeonato Carioca de 2019, da primeira divisão. E para falar a verdade, esse contato aí com o Ederlane, a gente conversou para, futuramente, dependendo do andamento das coisas, a gente vir a trabalhar juntos porque temos a visão muito parecida de futebol e vejo com bons olhos o clube dele. Nós estamos aí por esses três caminhos que devem ser decididos de agora, até o final de setembro ou metade de outubro já deve estar definido”, finalizou.

Por fim, ele diz que a parceria, a intermediação dos jogadores, está fazendo pelo conhecimento que tem dos dois lados e diz ser uma coisa paralela a sua carreira, que não é o seu trabalho, é apenas um colaborador.

Eduardo Dias
Sobre Eduardo Dias 105 Artigos
Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e Repórter do interior.

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