Um simples jogo pode acabar com todo o sonho de grandeza do Bahia para 2019

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

@Resenhanarede

Ainda estamos no mês de fevereiro, ainda é início de ano, o elenco ainda está se entrosando, o time ainda está contratando, o calendário é apertado. Todos que acompanham futebol e o Bahia já sabem disso faz tempo. Porém, mesmo ainda estando no segundo mês do ano e a uma semana do Carnaval de Salvador, o Bahia pode ver uma grande parte do planejamento para a atual temporada cair por terra rapidamente, a meta de integrar subir de escalão no futebol brasileiro ser interrompida e, principalmente, o sonho de conquistar um título de expressão após 31 anos seguir como uma utopia.

Drástico? Exagerado? Não! Essa é a realidade e o risco real que o Bahia corre, caso seja eliminado pelo fraco Liverpool, do Uruguai, na Copa Sul-Americana. Sem falar na questão financeira, que será muito prejudicada com a saída precoce da competição continental. Tudo isso poderia ter sido evitado se o time tivesse convertido as chances criadas em gols e jogado com um pouco mais de vontade. Mas, para piorar, o time não saiu apenas sem vazar o gol adversário, o Tricolor saiu de campo derrotado pelo placar de 1 a 0. O gol sofrido na Arena Fonte Nova, após cochilo da defesa, representou bem o que foi o time em campo: sonolento, desinteressado, sem criatividade, achando que poderia ganhar o jogo a qualquer momento. O velho salto alto.  E isso custou muito caro.

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

Ver o Atlético Paranaense levantar a taça de campeão da Sul-Americana em 2018 parece ter mexido com a confiança do torcedor e da diretoria tricolor, que tratam o título da competição como uma coisa possível e não tão complicada como outrora. Mas com uma campanha extremamente oscilante e ainda sem apresentar um bom futebol, é difícil até de cravar que o Esquadrão, hoje, é o favorito da Copa do Nordeste e do Baianão. Quiçá do desejado torneio continental, considerado a “Série B” da Libertadores.

Do fim de 2018 até o momento atual, o Baêa tem sido tratado como se tivesse conquistado algo importante na última temporada. Mas, na verdade, não passou de um turbulento 11º lugar no Brasileiro, de um inacreditável vice-campeonato  no Nordestão e de uma traumática eliminação nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Quase esqueci. Ganhou o “fortíssimo” Campeonato Baiano. Ou seja, motivo para tamanha empolgação e confiança não existem. Então serão os novos contratados que empolgaram? Até aqui não.

Como dizem os sábios: nada é tão ruim que não possa piorar. Até este exato momento, a equipe tida como principal pelo técnico Enderson Moreira já atuou seis vezes na temporada. O aproveitamento é de 50%. Foram dois triunfos, três empates e uma derrota. O único ponto fora da curva foi a goleada por 7 a 1 em cima da Juazeirense. Resumindo, o time A ainda não empolgou, muito menos engrenou, o que preocupa ainda mais para o jogo contra o Liverpool.

Douglas terá que ser decisivo (Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia)

Mais ainda há esperança. O primeiro passo para que o Bahia consiga a classificação e mantenha os sonhos e planejamentos vivos, é fazer com que os atletas entrem mais concentrados, com mais vontade, que façam valer os “gordos” salários e que Enderson seja menos previsível no esquema e mais ousado nas mudanças. O elenco tem  potencial, oferece opções e cabe a ele tirar o melhor do grupo.

É possível ganhar lá fora, é possível classificar, é possível sonhar alto. Mas também é necessário entrar em campo sempre com sangue no olho e lembrando que, hoje, o Tricolor ainda está longe de voltar a ser um dos grandes do futebol brasileiro. Para alcançar este patamar é necessários boas campanhas e títulos. Com dizem: ou vai ou racha!

Rafael Tiago Nunes
Sobre Rafael Tiago Nunes 179 Artigos
Editor, colunista e setorista do Bahia.

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