Sobre Bahia, arame liso e a cabeça do treinador

Gesticula, Enderson! Treinador tem peças disponíveis para montar seu quebra-cabeças. Fotos: Felipe Oliveira/EC Bahia
Vinicius Nascimento

Arame liso é uma expressão tipicamente brasileira para explicar algo ou alguém que cerca muito, mas não consegue agredir, não pinica, não avança, não progride. Cerca, mas e daí? Depois disso, faz o quê?

Neste início de ano, o Bahia tem sido um time arame liso. Controla a bola, possui um certo domínio do jogo mas não passa disso. E o futebol tem sido cruel com esse domínio estéril do tricolor: até aqui, o time está fora da zona de classificação da Copa do Nordeste e eliminado da Sul-Americana após dois jogos que resumiram bastante o quão pouco criativo é o time de Enderson Moreira até aqui. O cenário é bem diferente do imaginado.

Enxergo alguns pontos dentro de campo para essa certa inoperância do tricolor. Na direita, Nino não atravessa boa fase e pouco oferece de apoio para Artur, que joga aberto na ponta direita e em diversas ocasiões fica sem apoio. Resta tentar puxar pra dentro em jogadas individuais ou cruzar a bola de qualquer jeito.

Na esquerda, é Moisés que fica sem um bom suporte na parte ofensiva. Rogerio, Élber e Shaylon já foram testados por ali mas nenhum dos três agradou.

Se as pontas não funcionam, tramas pelo meio poderiam ser uma alternativa. Um volante que chegue de trás, pise na área e compense as deficiências ofensivas apresentadas nas laterais seria uma alternativa, mas nem Gregore, nem Douglas possuem essa capacidade.

Foto: Felipe Oliveira/ECB.

Esses probleminhas têm dado dor de cabeça para Enderson Moreira, que já tem seu trabalho questionado pela torcida. Algumas mudanças desagradam o torcedor e declarações como a de que só no exterior que se compreende as dificuldades do calendário brasileiro jogam a imprensa contra o treinador. E a panela vai pegando pressão.

A sequência de jogos fora de casa também pode ser prejudicial para o Bahia, que nos últimos anos se mostrou um time muito caseiro.

Enquanto essa falta de encaixe persistir, o Bahia vai continuar batendo cabeça e frustrando o sonho de um primeiro semestre inesquecível da torcida.

Não acho que seja o momento para pedir cabeça de treinador, apesar dos vacilos que Enderson vem dando até aqui. O Bahia tem um projeto e mudar o comando técnico não vai ajudar em muita coisa. Mas Enderson e seus comandados precisam reagir e dar um sinal dentro de campo. Tanto em resultado quanto em desempenho.

Caso isso não aconteça, aí a batata esquenta…

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