Semana de decisão! Julgamento sobre fatos do BaVi ocorrem nesta terça na sede do TJD-BA

Fonte: Uol /Foto Divulgação

O dia 18 de fevereiro de 2018 tinha tudo para ser uma data completamente festiva. Inauguração da Via Mário Sérgio, retorno da torcida misto ao clássico BaVi, e seria o primeiro clássico da temporada, aquele que poderia definir qual rumo os maiores times da Bahia. Infelizmente o clima de paz instaurado antes do clássico durou apenas 79 minutos – em contar acréssimos e intervalo -, pois foi após um pênalti, o gol de empate tricolor e a polêmica dancinha do meia Vinícius, que tudo desandou. Briga generalizada, 5 expulsos de um lado, 4 expulsos do outro e o confronto foi encerrado antes do tempo regulamentar. Na súmula o placar foi mantido, mas pelo regulamento, a Federação Bahiana de Futebol, deu W.O. ao Esporte Clube Vitória e considerou o Bahia Esporte Clube o vencedor do clássico pelo placar de 3 a 0.

ENTENDA

Antes de mais nada cabe salientar aqui que nós do Resenha na Rede não temos um lado nesta confusão, bem como não somos à favor de violência física, moral e verbal de nenhuma forma. Cada um tem o seu time, cada um defende aos seus interesses pessoais em suas vidas pessoais – desculpem a redundância -, mas aqui somos todos um só, somos todos imparciais e estamos ao lado do bom esporte e futebol baiano.

Semanas antes do clássico aquela velha e boa rixa entre as duas torcidas rolavam nas redes sociais, cada um valorizando o seu lado e menosprezando o lado adversário, até então tudo fluia tranquilamente, sem intrigas e suspeitas de maiores problemas para a realização do BaVi. Contudo foi em uma dessas ocasiões que a torcida rubro-negra, bem como o Vitória como um todo,  teve acesso a uma resposta de uma publicação do jogador Vinícius à página Bahia Mil Grauu no instagram com algumas “provocações” incluindo “mães” e “irmãs”, algo que não foi muito bem digerido por ninguém do lado rubro-negro. Isso esquentou os ânimos para o clássico estadual, mas ninguém esperava pelo o que estava por vir. As confusões começaram antes da bola rolar, no intervalo e principalmente no decorrer do segundo tempo. O leão da barra voltava para o período final do jogo com a vantagem no placar, mas isso não durou muito. Aos 4 min de jogo o tricolor de aço teve um pênalti marcado e convertido, dando origem a toda confusão. Vinícius marcou e comemorou com a sua tradicional dancinha em frente a torcida organizada do Vitória. Os jogadores rubro-negros partiram para cima e toda a briga generalizada teve início. O cúmulo da pandaria foram os socos deferidos pelo zagueiro Kanu sobre o rosto do atleta tricolor supracitado.

Com 5 jogadores expulsos, 3 do Vitória e 2 do Bahia, o jogo foi reiniciado aos 20 min do segundo tempo, mas novamente durou pouco tempo. 12 minutos depois o rubro-negro teve mais 2 atletas expulsos ficando em quantidade númerica muito inferior ao adversário – 6 contra 9, contando com ambos goleiros -, o que por regulamento, impossibitava a conclusão do jogo. Desta forma o jogo foi encerrado com o placar empatado na súmula, mas a FBF, deu razão ao tricolor e aplicou o regulameto, dando a vitória ao mesmo por W.O. e um saldo positivo de mais 3 gols. A confusão, as expulsões e a atitude do rubro-negro gerou muita polêmica, principalmente esta última, em respeito da intenção ou não do clube em provocar a expulsão do seu 5º atleta em campo.

Tudo isso será julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Bahia (TJD-BA) na noite desta terça-feira (27) às 19 hrs no Auditório Rafael Oliveira dentro do Palácio dos Esportes em Salvador, Bahia.

AS POLÊMICAS CONTINUAM

Após toda confusão em campo, jogadores de ambos times continuaram com os “exercícios” de suas “provocações”, se é que podemos chamar assim. Do lado do Vitória, o zagueiro Kanu continuou fazendo graça, postando vídeos nas suas redes sociais, inclusive com torcedores, deferido socos no ar e com um curativo sobre o supercílio esquerdo. Pelo lado do Bahia, o meia Vinícius continuou fazendo suas dancinhas nos jogos que se seguiram, ganhando inclusive seguidores e apoiadores pelo Brasil e mundo, uma vez que ex-atletas do tricolor postaram em suas redes sociais tanto vídeos com a comemoração que é marca do atleta em questão, bem como mensagens de apoio ao jogador e ao Esporte Clube Bahia. Sobre o zagueiro rubro-negro, que já tinha a sua situação bem delicada, essas publicações supracitadas podem e devem gravar ainda mais o seu lado no jugamento, uma vez que poderá e será usado como prova contra ele; já o lado tricolor continua da mesma forma, não tendo nada a acrescentar em contrário, contudo as demais partes envolvidas continuaram com as provocações. Fora tudo que já fora citado, os jogadores Edson e Vinícius, jogadores do tricolor de aço, continuaram postanto fotos e vídeos com o intuito provocativo. O primeiro postou uma foto de família com uma criança usando um camisa com os dizeres “Mamão com Açucar” – alcunha pejorativa usado por um radialista local e adotada pela torcida do tricolor como forma de provocação ao rival -, já o segundo postou um vídeo sacaneando e ironizado o Vitória dizendo entre outras coisas que “fez gol, comemorou e eles se doeram”. O julgamento ocorre nesta terça (27) 19 hrs.

JULGAMENTO

Além dos jogadores expulsos no clássico, 9 no total, serão julgados também o técnico rubro-negro Vagner Mancini, o supervisor Mario Silva, os jogadores Yago e Fernando Miguel e a questão do encerramento “forçado” do jogo por parte da instituição Esporte Clube Vitória; do lado tricolor somente irão ser julgados os 4 expulsos: Vinícius, Rodrigo Becão, Lucas Fonseca e Edson. Entre todos os jogadores, o que está com a situação mais delicada, com a pena prevista de 4 a 12 jogos, além de multa de R$100 mil reais, é o zagueiro do leão da barra, Kanu, principalmente após os fatos relatados acima – quando Kanu continuou fazendo graça, postando vídeos nas suas redes sociais, inclusive com torcedores, deferido socos no ar e com um curativo sobre o supercílio esquerdo -, sendo denunciado por agressão somada a ameaça. Ruy João, um dos auditores do julgamento, quando consultado pela nossa equipe, afirmou que a ideia é não prolongar muito o julgamento e terminar ainda amanhã (27), saindo assim com todos os veredictos lavrados e todas as definições tomadas. O Procurador Hermes Hilarião, autor da denúncia e quem conduziria o processo, não irá mais participar por conta de um outro compromisso fora de Salvador.

PUNIÇÕES

Os “ganchos” aplicados como pena neste julgamento, no que tange os atletas e comissão técnica, são previstos legalmente pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva em número de jogos e não em dias. Além disso deverão ser cumpridas somente no Campeonato Baiano, não havendo interferências nas demais competições para o Esporte Clube Vitória – que ainda disputa a Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro -; Sobre a possível exclusão e rebaixamento do Vitória no certame estadual, é previsto pelo CBJD em seu artigo 205, inciso segundo, e além disso prevê o pagamento de multa de até R$100.000,00. Para que esta pena tenha efeito em sua totalidade, os auditores têm que entender que a desistência do leão da barra tenha sido proposital, dando os 3 pontos ao Bahia e consequentimente prejudicando outras equipes na tabela do campeonato estadual. Segundo o Procurador e autor da denúncia, Hermes Hilarião, estas outras equipes seriam o Jequié e o Fluminense de Feira.

Além disso tudo teremos as punições aos atletas. No total 6 jogadores foram enquadrados e responderão pelo art. 254-A dp CBJD, por agressão a um adversário, sendo eles: Kanu, Yago, Denilson e Rhayner pelo lado do Vitória, e Rodrigo Becão e Edson pelo lado do Bahia. Esta punição prevê uma suspensão de 4 a 12 partidas e, como informado anteriormente, não pode revertida para dias. O zagueiro rubro-negro ainda responderá pelo art. 243-C por ter ameaçado um adversário, contudo a punição para este caso é tão somente financeira que fica entre R$100 e R$100 mil reais; Pela suposta interferência na suspensão do jogo, o técnico rubro-negro Vagner Mancini, bem como o supervisor Mário Silva, além dos jogadores André Lima, Ramon e Bruno Bispo, serão julgados pelo art. 258 do CBJD por terem ferido a ética disciplinar; no caso dos dois últimos e do comandante do Vitória, o auditores poderão usar a leitura labial realizada pelo Globo Esporte Bahia, programa esportivo transmitido pela TV Bahia, filial da Rede Gobo de Televisão. A punição neste caso é uma suspensão de 1 a 6 partidas.

E por fim os demais denunciados que foram o goleiro Fernando Miguel pelo lado do Vitória, e o zagueiro Lucas Foneseca e o meia Vinícius pelo lado do Bahia. Serão julgados pelo art. 250 do CBJD por terem praticado atos hostis com uma pena de 1 a 3 partidas de suspensão o atleta rubro-negro e o primeiro atleta tricolor en questão. O último deles poderá ter uma pena mais agressiva, pondendo ser enquadrado também no art. 258-A do CBJD por ter comemorado com gestos obscenos.

RECURSOS

Os atletas e profissionais condenados nessa instância poderão recorrer à segunda instância do TJD-BA, quando serão julgados pelo Pleno do Tribunal. Após esta fase, caso não haja resolução, poderá ser recorrido ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), podendo inclusive, talvez chegar ao órgão máximo do futebol, o Tribunal da FIFA.

Tacio Caldas
Sobre Tacio Caldas 14 Artigos
Direito como profissão, jornalismo por amor e futebol por paixão. Pelo esporte eu vivo e imparcialidade é meu nome. Rubro-Negro acima de tudo.

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