Rugby? Saiba mais sobre o esporte que está invadindo o interior baiano

Foto: Arquivo pessoal/Adenilcio Rodrigues

@resenhanarede

Inserir um esporte pouco popular no Brasil em uma escola localizada no pequeno município de Adustina, no interior da Bahia, é um desafio e tanto, mas não para o professor Adenilcio Rodrigues. Recém formado em Educação Física, ele estava a procura de esportes não convencionais nas escolas onde lecionava. Quem diria que acharia esse outro esporte ao assistir um filme.

“Queria um novo desafio, para quebrar a monocultura do futsal na escola. Desde que me formei coloquei como meta propiciar aos meus alunos vivências diferentes no tocante ao esporte. No final de 2014 tive a oportunidade de assistir um filme chamado Invictos, que retrata a luta de Nelson Mandela contra o apartheid, nesse filme ele utiliza o rugby como ferramenta para unir aquele povo. Eis que fiquei encantado por aquele esporte”, afirmou.

Sem ideia de como começar esse esporte nas escolas onde ensinava, uma em Adustina e outra em uma comunidade rural de Cicero Dantas, chamada Caxias, o professor entrou em contato com a CBRu (Confederação Brasileira de Rugby), e eles o enviaram um apostila para trabalhar com iniciantes, chamado Tag rugby, jogo de equipe sem contato, no qual cada jogador usa um cinto que tem duas etiquetas de velcro anexadas a ele, ou shorts com adesivos de velcro.

Após a compreensão dos conceitos estudados, ele comprou uma bola para por em prática o que tinha aprendido, ela era simples, com recursos próprios e com as tags (elásticos) improvisadas com tecido.

Os alunos começaram a se interessar no esporte, o que propiciou ele a entrar em contato com os responsáveis pelas escolas as quais ensinava, para conseguir organizar um intercâmbio entre as instituições, contando com mais de 60 jovens. As equipes (Adustina Rugby Clube), em Adustina e (Espartanos Rugby), em Caxias, foram as percussoras da modalidade nas escolas do município.

Foto: Arquivo pessoal/Adenilcio Rodrigues

Os contatos não pararam, Adenilcio ainda se comunicou com o site Portal do Rugby, com a intenção de divulgar o evento, e também incentivar os jovens a continuarem com a modalidade. Com a publicação do artigo no site, a Federação de Rubgy da Bahia entrou em contato com o professor, buscando mais informações. Era uma grande surpresa para uma cidade pequena de aproximadamente 15 mil habitantes como Adustina e uma comunidade rural com 1000 habitantes como Caxias, ter a visibilidade de uma Federação, praticando um esporte até então pouco ou nada conhecido nessa região da Bahia.

A partir do sucesso que o esporte vinha fazendo na região, foi organizado o festival de Tag Rugby. Em 2017, sua terceira edição contou com a participação de Manuel Cabral, presidente da Federação de Rugby da Bahia. Na ocasião, o evento foi acompanhado por aproximadamente 1000 pessoas. Segundo Adenilcio, o evento atraiu mais atenção de quem não conhecia o Rugby.

“Os jovens que ate então não jogavam o tag rugby começaram a pedir para jogar, conhecer o esporte. Foi ai que tive que dar aulas de tag para a comunidade, quando não estava trabalhando juntava os jovens e começa a treiná-los”, disse.

Na segunda metade do ano, o presidente da Federação enviou Adenilcio até Porto Seguro para ter um estágio com a equipe do Porto Seguro e aprender a iniciar esses jovens no rugby com contato. No final do mesmo ano, o presidente manifestou o desejo de realizar o primeiro juvenil de Rugby do Estado da Bahia. A partir disso, foi criada a região de Rugby do Semiárido, que abrange as cidades de Adustina, Cícero Dantas, Fátima, Paripiranga e Ribeira do Pombal.

2018 foi um ano histórico para os jovens de Adustina e Caxias, até então eles só tinham participado de tag rugby (uma adaptção pra escola, que evitava o contato entre as crianças e adolescentes). No estadual de Rugby, realizado no estádio de Pituaçu, o sonho começava a se realizar. Os jovens de Adustina ainda tiveram a visita de um dos técnicos da seleção brasileira de rugby juvenil , Eduardo Acosta.

Foto: Arquivo pessoal/Adenilcio Rodrigues

Em 2019, as equipes se preparam para copa 24 horas, em Porto Seguro, que contou com quinze equipes de cinco estados brasileiros com aproximadamente 200 atletas. Agora imagine só, um projeto gratuito, aberto ao público e sem patrocinadores para custear a viagem, fim da linha certo? errado, a maneira para pagar os gastos foi a organização de uma feijoada beneficente, a organização do rugby fantasy, evento a fantasia criado para custear fundos, o apoio da Prefeitura Municipal de Adustina, da Secretaria de Esportes, e de alguns Vereadores. Com isso, foi possível conseguir o transporte e alimentação para esses jovens.

Em fevereiro do mesmo ano, a equipe de técnicos do Porto Seguro veio até Adustina e realizou um treino de fundamentos com a juventude do Semiárido, que serviu como preparação para a Copa 24 horas. O desempenho da I Etapa do Baiano de Rugby Sevens em Porto Seguro (Copa 24 Horas) trouxe bons resultados para Adustina, que se sagrou campeã entre os homens e mulheres, levando os dois juvenis. Além de ter a atleta Rayane Andrade como vencedora do prêmio de melhor jogadora do ano, e de Adenilcio Rodrigues como melhor técnico do ano de 2018

Foto; Arquivo pessoal/Adenilcio Rodrigues

Os feitos com o esporte foram de tamanha relevância, que fizeram Adustina receber uma placa de honra ao mérito. Fato único na cidade. No último fim de semana, foi realizado o primeiro torneio infanto-juvenil de rugby, participaram crianças de 7 a 9 anos, 10 a 13, jovens dos 13-15, 16-19 anos. Dia 8 de junho tem mais. Adustina recebe pela primeira vez uma etapa do circuito baiano de rugby, nomeada de Copa Semiárido de Rugby Sevens.

1 Comentário

  1. muito bom… tomara q o rugby chegue a todo canto do Estado. O trabalho dos professores de Ed. fisica é mais q importante para a divulgação. Parabéns Adenilcio!! A continuar trabalhando com entusiasmo…..

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