Precisa disso, seu Bahia?

Foto: Felipe Oliveira/ECBahia

Quando um time sobe à primeira divisão sempre se fala muito na ideia de manter uma base, seguir com a espinha dorsal do elenco que levou o time da Série B para a Série A do Campeonato Brasileiro. O planejamento do Bahia para a Série A deste ano não começou em 2017: já vem desde a última temporada quando o time investiu pesado em jogadores como Renato Cajá, Hernane, Régis e Jackson, por exemplo. Todos eles tinham, em tese, condições para atuar na elite do futebol brasileiro e o Bahia ofereceu contratos longos justamente por ter em vista o Brasileirão deste ano. Outros atletas também ficaram: Tiago, Renê Jr, Juninho -após longa novela em torno de sua renovação-, Edigar Junio e Eduardo foram nomes presentes na campanha do último acesso do clube e que seguiram suas carreiras no Fazendão, pelo menos à priori. Sem contar nomes como Luiz Antônio e Moisés, que não acertaram renovação e seguiram de volta para seus clubes de origem. O primeiro foi para Chapecó compor o a reconstrução do elenco da Chapecoense após o trágico acidente, o segundo retornou ao Corinthians e hoje é o reserva imediato de Guilherme Arana, melhor lateral em atividade no futebol brasileiro.

Pulando para o ano que corre, há de se dar o braço a torcer quanto às contratações do Bahia: Allione, Matheus Salles e Armero chegaram com toda a pompa de que seriam titulares absolutos. Wellington Silva desembarcou em Salvador após jogar mais de 30 partidas pelo Fluminense no Brasileirão anterior, além de peças inicialmente desconhecidas, mas que logo se tornaram fundamentais à espinha dorsal do, à época, elenco de Guto Ferreira: Edson e Zé Rafael. As contratações de maior risco ficaram por conta de Gustavo e Diego Rosa: ambos decepcionaram. Por outro lado, o elenco ganhou alguns reforços dentro do que já tinha: Jean e Renê Jr, outrora vistos com desconfiança, se tornaram pilares do grupo (tudo bem que o primeiro ainda não é visto com bons olhos por boa parte da torcida, mas isso é conversa batida) devido aos próprios méritos dentro de campo e a insistência de diretoria e comissão técnica no futebol dos dois.

Barrar Juninho era uma tarefa impensável até o final da última temporada: Renê Jr provou em campo que a tarefa era possível e se tornou ainda mais vital para o Bahia neste ano. Foto:Felipe Oliveira/ECBahia

Seguindo o fio da meada podemos dizer que o Bahia encaixou no primeiro semestre. O esquema de Guto Ferreira era muito bem definido e a organização tática do time na primeira metade do ano era de fazer inveja, por mais que o ex-treinador pecasse nas modificações e se perdesse quando precisava mudar a postura do time dentro das partidas. Ainda assim, o Bahia tinha uma cara, principalmente nos jogos dentro de casa. O time foi vice-campeão baiano, campeão do Nordeste após 15 anos e começou a Série A apresentando um futebol interessante embora continuasse a sina de não ganhar fora de casa.

A saída de Guto foi imediatamente reposta com Jorginho, que chegou com boas ideias mas não conseguiu colocá-las em prática: o treinador não apenas falhou em manter a coesão tática de Guto Ferreira como, também, desorganizou completamente o time e acabou dispensado com menos de 38% de aproveitamento em pouco mais de dois meses à frente do comando técnico do time. Preto foi colocado como interino e ficou até ser efetivado, mas o time continuou sem apresentar um futebol seguro e mesmo com uma série de bons resultados, segue uma esquadra sem criatividade, organização e com fragilidades claras que são expostas jogo após jogo.

O que mais chateia este reles escriba é que o elenco não é ruim para o nível técnico do Campeonato Brasileiro. Com o mínimo de consistência e organização tática o Bahia não teria perdido tantos pontos bobos (alô Fluminense e Avaí!). Mesmo com o time beirando a zona de rebaixamento o Bahia tem jogadores como Jean, Tiago, Renê Jr. e Zé Rafael, por exemplo, que vêm apresentando futebol para atuar tranquilamente em qualquer time da Série A. Sem contar em nomes como Allione e Régis, que não tem jogado bem, mas são nomes importantes no elenco e que podem desequilibrar partidas assim que decidirem jogar a bola que sabem.

Bom, meu querido leitor, dei todo esse arrodeio para voltar ao título do texto e perguntar: precisa desse sofrimento todo, seu Bahia?

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 210 Artigos
Estudante de Comunicação na UFBA, produtor do programa Os Donos da Bola na TV Band e faz de tudo no Resenha na Rede. Oficialmente, editor e repórter do site. Tricolor, viciado em estádio e feliz pela própria natureza.

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