Os melhores reforços estão dentro do elenco

Parceria famosa na última temporada ainda não engrenou em 2018. O elenco do Bahia é bom e segue em crescente, mas ainda não apresentou um futebol à altura do elenco.

O torcedor do Bahia questiona muito sobre reforços. Mas o Tricolor pode encontrar ótimas soluções dentro do elenco que já tem. E isso passa por uma crescente de desempenho de Régis e Allione. Foto: Reprodução/Adilton Venegeroles

O Bahia de 2018 tem um bom elenco. Aquele famoso feijão com arroz de ter pelo menos dois jogadores para cada posição do campo existe dentro do plantel tricolor. O presidente Guilherme Bellintani trouxe 11 reforços no início do ano, a lista por ordem de posição é a seguinte: Douglas; Nino Paraíba e João Pedro; Douglas Grolli; Léo e Mena; Gregore, Nilton e Elton; Élber e Allione; Kayke foi o único centroavante contratado. Também houve a renovação, em definitivo, de Régis, que passou a ser jogador do Bahia. A compra foi parte do acordo para a venda de Jean ao São Paulo.

Da lista acima, cinco são titulares do time de Guto Ferreira. Uns mais absolutos que o outro: é o caso de Douglas, Nino e Gregore. Esses praticamente têm “cadeira cativa” pelo nível das exibições neste começo de ano. Contudo, Elton e Léo também alcançaram o posto de titular.

As ausências sentidas são de Régis e Allione. Régis entra praticamente em todas as partidas. É uma espécia de décimo segundo jogador do times, seja entrando no lugar de Vinícius para atuar como meia, seja entrando no lugar de um dos extremos, seja Marco Antônio, seja Zé Rafael. Nesse caso, Régis entra para jogar flutuando pelos lados do campo. Mas o desempenho do camisa 20 está longe do que foi apresentado na última temporada. Tanto em números, quanto na minha percepção de jogo.

A dupla Allione e Régis está em baixa, mas os dois jogadores ainda são fonte de esperança para a torcida Tricolor. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Vamos aos números: até o final de Campeonato Baiano e Copa do Nordeste em 2017, Régis era o artilheiro do time com oito gols marcados, sendo 6 no Nordestão e 2 no Estadual. No total foram 1.385 minutos em campo, divididos em 18 partidas. O desempenho em 2018 é bem diferente: e inferior. Vinícius tomou a vaga de titular no meio-campo. Régis jogou, até aqui, 547 minutos somandos as 4 competições que o Bahia disputou até aqui: Campeonato Baiano, Copa do Nordeste, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro. Foram 14 partidas disputadas e apenas um gol. Uma queda brusca comparando com o desempenho do último ano. Todos os dados são do site ogol.

A queda de Allione é ainda mais visível. Tanto em postura, quanto em números dentro de campo. O argentino terminou a última temporada como o grande garçom do Bahia, somando 12 assistências no total. A entrega do argentino dentro de campo também era outro fator que chamava atenção, principalmente no primeiro semestre quando ele ainda atuava como extremo na composição de meio-campo junto a Régis e Zé Rafael. No primeiro semestre de 2017 Allione disputou 1.372 minutos,  distribuídos em 17 partidas, somando Campeonato Baiano e Copa do Nordeste. Foi nesse período que ele marcou todos os seus tês gols com a camisa do Bahia.

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Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Quando Allione retornou ao Bahia em 2018 criou-se uma grande expectativa da torcida para que o argentino repetisse o bom desempenho da última temporada. É bem verdade que Allione oscilou muito no meio do ano, mas voltou a crescer com a chegada de Carpegiani, que o colocou para atuar centralizado. Só que neste ano o argentino pouco jogou. E, quando jogou, não foi bem. Não apenas em números, mas a postura de Allione dentro de campo chega a dar sono. Ele está pouco combativo e beirando à preguiça quando joga. Falando de números, Allione disputou 14 partidas, mas sempre jogando pouco tempo e totaliza 507 minutos em campo. Sem gols e sem assistências.

Allione construiu uma reputação no Bahia e seus números poderiam ser relativizados na cabeça do torcedor se o meia demonstrasse um pouco mais de vontade dentro de campo. É gritante: não houve sequer uma partida de Allione nesta temporada em que ele tenha mostrado algo a mais. Quando não na técnica, na vontade. Aquela coisa característica de jogadores argentinos: quando não na técnica, na garra, na determinação, brigando por todas as bolas e todo esse clichê que faz sentido.

Foto: Reprodução/EC Bahia

Fiz todo esse arrodeio para falar de de Régis e Allione, que são os grandes expoentes do banco Tricolor atualmente. Mas há outros jogadores que podem jogar muito mais do que vêm apresentando. E, caso joguem, serão grandes reforços para o time de Guto Ferreira. É o caso de Nilton e João Pedro, por exemplo. O próprio Élber, que chegou a ter uma sequência de jogos mas beirou o sofrível durante todas as suas apresentações, pode jogar mais do que vem jogando e ser uma ótima opção para o elenco. Se não para o time titular, para o decorrer do jogo em alguma situação que o time precisar de uma injeção de velocidade, variação tática ou mudança na postura dentro de campo.

O Bahia montou seu elenco para toda a temporada no início do ano. Os nomes, no papel, têm condições de fazer uma Série A sem sufocos em relação a zona de rebaixamento. Mas é necessário que tudo isso saia do papel e entre nas quatro linhas. Caso esses jogadores joguem algo perto de seu potencial, o Bahia pode, inclusive, sonhar bem mais alto do que simplesmente se manter.

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 242 Artigos
Estudante de Comunicação na UFBA, produtor do programa Os Donos da Bola na TV Band e faz de tudo no Resenha na Rede. Oficialmente, editor e repórter do site. Tricolor, viciado em estádio e feliz pela própria natureza.

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