#OlharTático Foi um teste de paciência

Foto: Agif/Folhapress

Quando a escalação foi divulgada através das mídias sociais do clube, a torcida logo começou a chiar. A expectativa na teoria é que o Bahia mudasse algumas peças em decorrência da derrota sofrida pelo Fluminense no último sábado (12) no Maracanã. No pensamento dos seus aficcionados e de parte da imprensa, talvez ninguém arriscasse a presença do meia Guerra entre os titulares, e foi essa a escolha de Roger Machado para enfrentar o Grêmio em Porto Alegre.

Confesso que temia o pior, do time retornar á Salvador com nenhum ponto conquistado em dois jogos fora de casa, mas aí é que entra aquela situação onde o futebol nos prega boa surpresas e fomos surpreendidos pela postura do tricolor na primeira etapa da partida. Para conter os avanços dos pontas gremistas, Roger adotou a seguinte estratégia de avanças as linhas e encurtar os espaços pelo lado por onde Éverton Cebolinha e Alisson costumam jogar, e mais, com uma postura avançada tinha a possibilidade de ter a segunda bola ao seu domínio e rouba-la para gerar esse contra-ataque que é a sua especialidade. Adiantando Flávio no setor de meio-campo e vivendo boa fase com a camisa tricolor, foi dele uma jogada que por muito pouco não resultou em gol.

O Grêmio tinha muita dificuldade para infiltrar a linha defensiva do Bahia. Não dava para trocar passes ou até tentar driblar algum marcador, pois o Esquadrão ultilizava sempre vários mini-grupos de três jogadores cada para diminuir os espaços e forçar os gáuchos a jogar pelos lados e também em cruzamentos para área. Até então estava dando certo, porém de mais ou menos 30 minutos em diante, os donos da casa começaram a incomodar.

Fruto disso, foi quando o Bahia afrouxou um pouco a marcação quando em alguns momentos o time precisou atacar e em certas ocasiões demorava de recompor por conta de algumas atuações individuais que não correspondiam, como por exemplo o atacante Gilberto que foi pouco solidário e estava meio desatento em lances onde o Bahia tinha a posse de bola e precisava do artilheiro para dar sequência no lance. Foi assim quando Élber tentou trocar passe com ele e o matador demorou de chegar na bola facilitando o serviço para Geromel roubar e acionar o contra-ataque, que chegou á Luan e ele chutar com efeito para grande defesa de Douglas.

Jogar na Arena do Grêmio nunca foi fácil para os adversários. Tem que estar ligado o tempo todo para evitar surpresas desagradáveis. Na etapa complementar, o Bahia não tinha mais o controle do jogo como no primeiro tempo e deu a bola pro Grêmio jogar. Até porque jogar contra uma equipe muito bem treinada e com jogadores rápidos e inteligentes, não dá pra propor jogo de forma contínua justamente pelo desgaste físico para manter essa intensidade.

Dessa forma, a única solução era marcar adiantado e roubar essa bola para gerar uma resposta rápida no jogo. Lembra quando disse sobre Guerra ser escalado como titular?. Pois bem, o venezuelano até teve chances de se redimir com os tricolores, mas abusou do preciosismo e desatenção, principalmente no lance em que Artur tocou para ele, livre, conseguiu desperdiçar uma ótima oportunidade. Roger perdeu a paciência e deixou de lado também a teimosia e resolveu dar uma chance à Marco Antônio, cria da base, e aclamado pela torcida para jogar. Só uma peça nesse jogo de xadrez seria o suficiente para conquistar os três pontos. Doeu dá uma chance ao moleque?

E foi dele a jogada que resultou no pênalti a favor do Bahia. Seria assim de forma estudada, com muita paciência para achar o erro do Grêmio e assim chegar ao objetivo. Marco Antônio só foi parado por Léo Moura dentro da área, e o árbitro só marcou a infração após consultar o VAR ( Árbitro de vídeo em inglês). Sim, Rodholfo Toski Marques iria mais uma vez melar o triunfo como foi em 2018.

Mas a noite já estava escrita para ser de festa baiana em solo gaúcho. Na cobrança de Arthur Caike, a bola foi no canto e Paulo Victor ficou imóvel observando a pelota balançar as redes. O Bahia foi muito inteligente na casa gremista, soube propor quando era necessário, mas teve capacidade de sofrer e os atletas conseguiram assimilar a estratégia de Roger.

Um resultado para devolver a confiança para seguir na briga pelo tão desejado G-6 e por consequência garantir presença na próxima edição da Copa Libertadores.

 

Por: Lucas Cezar

 

 

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