“O que me segura é o amor que tenho pelo meu Estado, porque incentivo aqui é zero”, entrevista com o medalha de ouro Robson Conceição.

Foto: Osvaldo Barreto/Resenha na Rede.

A Bahia sempre revela grandes nomes para história do mundo do Boxe e o cara da vez é o Robson Conceição, 29 anos, natural de Salvador-BA. O pugilista foi nascido e criado no bairro de São Caetano, onde começou a dar os primeiros socos com a ajuda do treinador Celino Brito e depois passou a ser pupilo de Egberto (Bel). Mas foi nas mãos de Luiz Dórea que Robson ganhou maior projeção nacional e internacional.

“Lutava sempre na Esporte Total e Dórea via sempre as minhas lutas, percebeu que eu era brabo (risos), sempre me incentivou com palavras. Em 2005,teve a seletiva para o Campeonato Brasileiro, participei junto com Robenilson Vieira de Jesus, éramos da mesma categoria, só  tinha uma vaga para viajar para São Paulo e como ele já tinha ido, acabou deixando a viagem para mim. Cheguei lá e fui campeão brasileiro com 17 anos, na categoria adulto. Hoje dividem as categorias – cadetes, juvenil, elite-, na minha época era mais difícil porque garotos lutavam com homens de 30 anos. Em 2006, quando voltei do Sul-americano, passei a treinar aqui com Dórea”, diz Robson ao Resenha na Rede.

Foto: Osvaldo Barreto/ Resenha na Rede.

Dez anos depois Robson conquistou a medalha de ouro nas olimpíadas do Rio de Janeiro, mas como todo inicio o dele não poderia deixar de ser de escolhas difíceis. Quando foi convocado para Seleção Brasileira em 2007, ficou doente e não pôde viajar para o Sul-americano na Argentina, mas os técnicos perceberam o potencial de Robson e pediram para ele permanecer por mais um ano.

“Pediram para ficar em São Paulo um ano inteiro, somente com treino, alimentação e alojamento. Tinha 17 anos na época e aceitei. Continuei treinando forte e em uma certa oportunidade um atleta do Pará não conseguiu bater o peso. Daí, Dórea falou com o presidente da Seleção que tinha um menino treinando bem. Minha primeira viagem foi em 2007 para República Dominicana e ganhei minha primeira luta, contra um atleta da casa.  A segunda fiz com um lutador que era considerado o melhor atleta amador de todos os tempos, o cubano Guilhermo Rigondeaux, duas vezes campeão olímpico e três vezes campeão mundial, ganhando todas suas lutas por nocaute, foi a única que perdi, mas por quatro pontos. Os anos foram passando e fui dominando a categoria no Brasil e no ano de 2008 me consagrei titular da Seleção, disputei a minha primeira Olimpíada em Pequim (2008), lutei bem com um adversário da casa, mas o  resultado foi favorável para ele”, conta o pugilista.

Foto: Osvaldo Barreto/Resenha na Rede.

Da pra considerar que Robson se encontra em outro patamar do boxe nacional, mas a reclamação quanto a falta de apoio persiste até entre os melhores. Para o atleta a falta de incentivo no boxe profissional consegue ser pior do que na categoria olímpica.

“O atleta olímpico tem o apoio do Bolsa Esporte aqui na Bahia, Bolsa Atleta que é do Governo Federal, e o da Seleção Brasileira . Já o profissional não tem incentivo nenhum, só parabéns, promessas e tapa nas costas. Fica mais difícil ainda para um atleta com família,  por isso muitos com potencial, que poderiam ser campeões mundiais de forma fácil, ficam pelo caminho”, desabafa o lutador.

Mas com toda dificuldade, o guerreiro não quer mais ficar longe de casa. O calor da Bahia e a família seguram Robson, mesmo com o seu contrato com a Top Rank prevendo que ele more nos Estados Unidos. “Já tive que viver a vida inteira obrigado em São Paulo (2006 – 2015), então perdi uma grande parte dos momentos com a família, hoje tenho duas filhas e sou casado. Além de tudo gosto desse calor, gosto de estar no meu bairro, interagindo com todo mundo. O que me segura é o amor que tenho pelo meu Estado, porque incentivo aqui é zero”, desabafa.

Robson vive toda expectativa da luta pelo título mundial profissional, na categoria super-pena (58,97KG). O ano de 2018 servirá como preparação para mais uma grande disputa em sua carreira.

“Por mim já lutava pelo cinturão hoje, afinal tenho bastante experiência com o boxe olímpico, claro que o profissional é muito diferente, mas confio no meu trabalho e na minha equipe. Mas sei que existe todo um trabalho por trás, esperar o momento certo, para que não haja precipitação. Então vamos fazer essas três lutas esse ano, para em 2019 disputar o cinturão”, demonstra ansiedade ao falar.

Foto: Arquivo Pessoal.

Não fugindo da polêmica, Robson revela que ao contrário do que foi divulgado pela imprensa nacional não existiu uma preparação com o ex-técnico da Seleção Cubana, Pedro Díaz, para luta contra Gavino Guaman

“Fui treinar em Miami e ele me ajudou no sparring. Antes de chegar lá ele me prometeu que haveria bastante sparring para me preparar, que poderia treinar qualquer hora e iria ter muita gente para treinar comigo. Mas no primeiro dia só tinha um cara que já tinha lutado comigo em 2015 e me roubaram, na hora ele não quis treinar comigo e inventou uma contusão, tirou a roupa e foi correr. Sobrou um cara que lutava com 66kg e no dia estava com 80kg, combinamos oito rounds de sparring, mas ele só aguentou fazer seis. No segundo dia fiz novamente com dois caras mais pesados, um lutava na categoria 61kg e em off estava com 70kg, o outro lutava na 63,5 e em off devia tá com 73kg. No outro sparring ele disse que não tinha ninguém, então não deu para evoluir muito. Minha preparação foi mesmo durante o treino com Dórea e Luiz Carlos, além de  conseguir manter a calma e paciência”, revelou Róbson.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 936 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Editor, colunista e repórter do Resenha na Rede. Apaixonado pela escrita e pelo Rubro-negro.

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