O jogo é no campo

Foto: Felipe Oliveira/ECB.

O empate em 1×1 entre Bahia e Vitória deixou sabores diferentes para as duas torcidas. Enquanto o Vitória saiu de cabeça erguida após resistir bravamente em um primeiro tempo onde seu rival foi superior, o sabor no Fazendão foi de derrota. Muito mais devido ao clima de favoritismo que foi criado ao redor da equipe de Enderson Moreira do que pelo resultado em si.

Com orçamento previsto em R$143 milhões para o ano de 2019, jogando primeira divisão, montando um elenco forte com direito até a repatriar Fernandão, de fato o Bahia tinha a faca e o queijo na mão para enfrentar um Vitória que vive um contexto completamente oposto: recém-rebaixado, com orçamento de R$45 milhões (em 2018 o orçamento previsto era de R$102 milhões), perdendo sua grande esperança por lesão e vendendo uma joia de sua base recentemente. Nesse contexto, o otimismo da torcida do Bahia era tão natural quanto o pessimismo da torcida do Vitória. E de quebra o clássico seria na Fonte Nova, com torcida única.

Contudo, para além do clichê de que “clássico é clássico e vice-versa”, a postura que o time do Bahia vem adotando dentro desse contexto favorável não é das melhores. Em todos os jogos o time tirou o pé em algum momento ou achou que tudo se resolveria naturalmente. A equação do Bahia nesses quatro primeiros jogos (fiz questão de excluir os jogos contra o CRB e Fluminense de Feira por evitar avaliações em estreias) é basicamente a seguinte: sobra técnica e capacidade, falta brio e, principalmente, concentração. O Bahia desses quatro primeiros jogos é um time displicente.

Talvez o jogo contra o Santa Cruz foi onde ficou mais evidente. Após o primeiro gol o time tirou o pé. O Santa Cruz compensou a falta de qualidade técnica na vontade e conseguiu arrancar um gol quando o Bahia deu um vacilo de marcação e Elias Carioca achou espaço para um golaço. Naquela ocasião, o Bahia reagiu e resolveu no segundo tempo.

Foto: Felipe Oliveira/ECB.

No meio da semana, contra o organizado Bahia de Feira treinado por Quintino Barbosa, o Tricolor saiu atrás no placar -novamente sofrendo gol graças a uma falha no sistema defensivo-, teve a chance do empate desperdiçada por Clayton que perdeu um pênalti e depois sofreu outro gol graças a um novo vacilo: Matheus Silva tocou errado quando o time estava saindo e armou o contra-ataque para o Bahia de Feira matar o jogo.

No clássico a história se repetiu. Para além das defesas de Ronaldo, melhor em campo no jogo de ontem, o Bahia perdeu chances que simplesmente não podem ser desperdiçadas em um clássico. O lance de Rogério no final do primeiro tempo foi onde ficou mais evidente. A bola costuma punir e em clássicos isso é elevado à enésima potência.

Ainda não é hora de se fazer alarde. Mas o sinal amarelo precisa ficar aceso no Fazendão. Time, orçamento e estrutura o Bahia tem ao seu dispor. Contudo, o brio é algo que se constrói no dia-a-dia. O Bahia tem a faca e o queijo na mão para dar um primeiro semestre dos sonhos aos seus torcedores, mas isso não vai cair do céu. Se vacilar, a bola pune.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1307 Artigos
Editor, colunista e repórter. Produtor do programa Os Donos da Bola (TV Band). Advogado.

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