O Ba-Vi e a volta das duas torcidas

O primeiro Ba-Vi de 2018 contará com duas torcidas novamente.

Ba-Vi terá duas torcidas novamente. (Foto: Google)

Depois de seis bavis, com apenas uma torcida, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), através do promotor Olímpio Campinho, decidiu voltar atrás da decisão, que entrou em vigor em 2017, após incidentes ocorridos durante os primeiros clássicos, para que as partidas fossem realizados com torcida única. O representante do MP-BA, por sua vez, decidiu atender ao apelo do povo baiano e, no dia 18, data do primeiro Ba-Vi de 2018, contará com duas torcidas novamente.

Sim, com duas torcidas!

Sempre tive a ideia de que clássico tinha que ter torcidas dos dois times. Contudo, após a decisão do Ministério Público, no ano passado, me veio os questionamentos: Realmente é necessário a proibição? É a solução mais viável? Não! Não é. Se a intenção era conscientizar o torcedor para conviver harmonicamente com seu rival, como podem separá-los diante de um dos jogos mais importantes para ambos no ano?

Futebol é sinônimo de alegria. Uma arte colorida em tons vivos, repleto das suas variadas cores. Tricolores e Rubro-Negros. A ação de meia dúzia não pode prejudicar milhares de torcedores espalhados pela Bahia e pelo Brasil. Agora imaginem o quão difícil é, pra um torcedor apaixonado pelo seu clube, entender e concordar que terá que ver o jogo do seu time contra o maior rival, pelo qual ele esperou o ano inteiro, por conta de delinquentes que continuam impunes.

Acredito que quando um torcedor comemora um gol num clássico com torcida única sente, no fundo do coração, uma sensação de solidão, ao olhar para o outro lado da arquibancada e não ver seu amigo, conhecido ou, até mesmo, um familiar que torce pro rival, para poder zoá-lo.

Todos desejamos paz no futebol e pra isso acontecer temos que conscientizar a torcida de que o Bahia não vive sem o Vitória e nem o Vitória sem o Bahia, ambos se completam. A torcida precisa aprender a se comportar e entender que são rivais, e não inimigos. Esse é um pilar de extrema importância na construção de uma sociedade melhor.

Podemos, sim, nos colocar no lugar do outro. Entender e respeitar a escolha dele pelo outro time. Parte do princípio sociológico de Alteridade (natureza ou condição do que é outro, do que é distinto), entender e respeitar a escolha do outro torna-se um pilar essencial para o convívio humano.

Eduardo Dias é jornalista e escreve às quinta-feiras.

Eduardo Dias
Sobre Eduardo Dias 63 Artigos
Estudante de Jornalismo (Estácio), amante do futebol e da cultura nordestina. Colunista e Repórter.

3 Comentário

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*