Manuela Avena: narradora de Copa do Mundo sonha em ser treinadora

Foto: Reprodução.

Sorriso largo e com um pouco de timidez, a baiana Manuela Avena entrou para história do jornalismo brasileiro, ao de tornar uma das primeiras mulheres a ter narrado jogos da Copa do Mundo (Rússia 2018). Ela ganhou o concurso “Narra quem sabe”, promovido pelo canal Fox Sports, juntamente com Isabelly Morais e Renata Silveira. Nesse “Dia da Mulher”, o Resenha na Rede teve oportunidade de bater um papo com a profissional.

Mas quem acha que a baiana já alcançou os seus sonhos, não pode imaginar que ela pensa em comandar o seu time de coração. O Resenha na Rede tentou descobrir o time para que ela torce, mas ela guarda sob sete chaves.

Tenho muita vontade de assumir um clube de futebol um dia. As pessoas falam muito para revelar meu time, mas ainda tenho medo. Amo ser repórter de campo e aqui, em Salvador, a gente ainda tem essa didificuldade. E por andar muito nos estádios, ainda tenho esse receio. Também tenho vontade de treinar um time, de viver o futebol feminino, que é uma luta diária. Ainda é um sonho, mas sempre gostei muito de sonhar.

Foto: Reprodução.

A baiana é formada em publicidade, com pós-graduação em Gestão Esportiva e entrou na competição através de um vídeo caseiro, sem nunca ter realizado narração esportiva. Mas a “novata” tem experiência como repórter de campo, fazendo coberturas de Bahia e Vitória no rádio.

Manuela ainda não se enxerga como pioneira na crônica esportiva baiana, mesmo tendo realizado um fato histórico para o cenário esportivo.

“Para mim é uma surpresa tratar desse assunto, até porque sou publicitária de formação, e para mim é um prazer fazer parte do esporte baiano. Sempre fui apaixona, frequentei estádio e para mim é um prazer fazer parte dessa história toda. Foi tudo muito rápido, mas ainda não acho que tenho cacife para estar como pioneira ou referência, apesar da Copa do Mundo ter sido muito grande, mas ainda acho que tenho uma escada grande para subir”, disse Manuela ao Resenha na Rede.

O dia 8 de março é comemorado em todo mundo como o “Dia da Mulher”, mas o cenário esportivo ainda tem o domínio masculino e é um ponto tratado por Manuela Avena.

No cenário baiano ainda temos muito para evoluir. Tive minhas oportunidades graças as pessoas de bem que conheci no mercado. Me considero uma sortuda, pois vejo muita menina de qualidade sem oportunidade, nosso mercado ainda é muito masculino. No Dia da Mulher temos que falar sobre isso, sim: a gente não luta para tirar ninguém dos seus lugares, mas para que possamos ter oportunidades. Principalmente no rádio baiano existe grande dificuldade, a gente conta nos dedos quem trabalha no meio. Falta oportunidade sim e pessoas que possam assumir o fato de ter uma mulher na equipe, até porque, para o público também é uma coisa nova”, desabafou.

Manuela está envolvida com o futebol desde a adolescência, tendo participado de campeonatos infantis, jogando futebol. “Morei em Petrolina na infância e lá o esporte é impressionante. Minha mãe pegava em meu pé nos estudos, mas tinha oportunidades de jogar duas vezes por semana. Até os 13 anos joguei e hoje faço por diversão, mas sempre fui apaixonada”.

 

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1331 Artigos
Editor, colunista e repórter. Produtor do programa Os Donos da Bola (TV Band). Advogado.

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