Goleiro Bruno: atletas devem ser vistos como “heróis” de uma sociedade

Foto: Reprodução.

@Resenhanarede

Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, em razão do desaparecimento e morte da modelo Eliza Samudio, ocorridos em 2010. Em 2017, a pena foi reduzida para 20 anos e nove meses pela Justiça de MG. Crime cometido ainda quando era jogador do Flamengo e tinha proposta encaminhada para jogar na Europa, atuar pelo Milan.

Também em 2017, ele conseguiu um habeas corpus e conseguiu jogar em cinco partidas pelo Boa Esporte. Durante todas os jogos ouviu das arquibancadas o grito de “assassino”. Mas os dirigentes bancaram o seu retorno aos gramados e suportaram as críticas da imprensa e parte da sociedade. Uns diziam que o clube buscava mídia nacional e internacional, os dirigentes defendiam a tese da ressocialização.

Agora no semiaberto, Bruno chegou a anunciar que jogaria pelo Poço de Caldas em 2019, mas a rejeição da sociedade fez a direção recuar. Bruno aceitou jogar em um clube cearense, o Barbalha, visando a Copa do Brasil que o time vai disputar em 2020, mas a prefeitura da cidade ameaçou retirar o patrocínio do time e a direção recuou.

Torcedores do Flamengo fazem “selfie” e “tietam” goleiro Bruno em loja do do Flamengo. Foto: Reprodução.

Surgem agora os clubes baianos, Fluminense de Feira e o Barcelona de Ilhéus, como opções para Bruno. Uma vinda para o futebol baiano depende de autorização da justiça mineira, mas os clubes já manifestaram oficialmente a vontade de contar com o jogador. O presidente do Touro do Sertão, Pastor Tom, entoa o discurso de ressocialização. Já o Barcelona de Ilhéus indica que quer o jogador por empréstimo junto ao Flu, para disputa da Série B do Campeonato Baiano.

A sociedade costuma enxergar os atletas como exemplos de superação, garra e vontade de vencer. Não há pecado em Bruno querer voltar a trabalhar, o sistema penal brasileiro prega a ressocialização como princípio. Contudo, ver Bruno ser chamado de atleta e ser exemplo para crianças e adolescentes, ainda causa espanto naqueles que esperam que se diga onde foi parar o corpo de Eliza Samudio. A última partida oficial de Bruno foi no dia 22 de abril de 2017, entre Boa Esporte e Nacional Atlético Muriaé. São dois anos sem entrar em campo, mas isso parece pouco importar para os dirigentes baianos.

Colaborador: Osvaldo Barreto.

 

 

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1389 Artigos
Editor, colunista e repórter. Assessoria de Comunicação da Transalvador. Advogado. Ex-produtor do programa Os Donos da Bola (BA).

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