O que me fez assumir uma candidatura para retornar a presidência do Vitória foi o apelo,  digo até que dramáticos por certos torcedores.  Quando chegava ou saia dos jogos no Barradão tinha torcedor que até mesmo chorava. Confira a entrevista com Raimundo Viana

No próximo dia 13 de dezembro (quarta-feira), às 8h, no Barradão, acontecerá a eleição que escolherá o Presidente e vice-presidente do Esporte Clube Vitória. Cinco chapas confirmaram participação na eleição, encabeçadas por Raimundo Viana, Ricardo David, Manoel Matos Gilson Presídio e Tiago Ruas. Tendo como chapas, respectivamente, ‘Amor de Leão’ , ‘Ricardo Presidente’,  ‘Vitória unido, Vitória forte’,  ‘Democracia Vitoriana’, e ‘Modernizar para vencer’.

O segundo entrevistado da série é Raimundo Viana, candidato a presidente pela chapa Amor de Leão. Advogado, 81 anos,  foi presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF) na década de 70 e esteve a frente da presidência do clube por 18 meses (2015 – 2016).  Raimundo recebeu o @Resenhanarede no seu escritório de advocacia e não fugiu das perguntas. Confira abaixo a entrevista:

-Dr. Raimundo, o senhor tem grandes serviços prestados ao Esporte Clube Vitória, mas o que te fez retornar a presidência do Clube nesse momento?

Muito simples, o que me fez assumir uma candidatura para retornar a presidência do Vitória foi o apelo,  digo até que dramáticos por certos torcedores.  Quando chegava ou saia dos jogos no Barradão tinha torcedor que até mesmo chorava e ai fiquei no dilema: fico no meu comodismo assistindo o jogo ou vou para o confronto para não ficar sem discurso perante as pessoas que acreditava. Não tenho ambição ou interesse pessoal, mas vejo a possibilidade de complementar um trabalho que foi iniciado com bons resultados, com índice de valorização alto para o nosso Vitória.

Foto: Divulgação/A Tarde

– Você tem como adversários no pleito nomes que em outrora caminharam junto com o senhor. Porque não se uniu a tais nomes e partiu para um candidatura própria?

Meu pacto no Vitória é com a torcida, sou um torcedor que eventualmente fui presidente do Vitória e e pretendo continuar sendo um torcedor que conseguiu alcançar a presidência do clube. Evidentemente que cada um tem como seu julgador a sua consciência, a minha está em paz. Tenho até uma certa vaidade de dizer que além de revelar jogadores na base, além de revelar treinadores e comissão técnica como Amadeu (Carlos Amadeu) e Wesley Carvalho e tantos outros valores na divisão de base, também fiz aparecer políticos para o Vitória. Se você observa, dois dos candidatos que estão aí pertenceram a nossa equipe.

Não tenho vaidade, mas gosto de dizer que fiz uma administração moderna, descentralizada, rigorosamente ética, séria, sem rancor, sem politicagem ou interesses menores. De modo que a união é sempre boa, mas vou procurar novamente de todas as maneiras estabelecer uma relação respeitosa e harmoniosa entre as diversas correntes de pensamento do clube. Todo mundo tem uma ideia e isso é um direito sagrado de cada um, se você fizer uma pesquisa com dez pessoas sobre o time ideal, todas dirão um time diferente. Temos que respeitar e quem está no comando tem oportunidade de errar por último.

– Sua gestão foi marcada pelo equilíbrio financeiro, bem como renovação da estrutura do clube. Mas dentro de campo, o que deve ser feito para melhorar o desempenho do Vitória na competição, a exemplo da Chapecoense que se reestruturou partindo do zero?

Com razão você está dizendo isso, mas respondo com um pouco de vaidade. Recebi o clube na segunda divisão, joguei na primeira divisão com um time modesto mas extremamente comprometido. Segundo, recebemos o clube fora da Copa do Nordeste, por ter sido o quarto no campeonato estadual não teve o direito de participar e retomamos o direito de disputar a Copa do Nordeste após aquela humilhação. Terceiro, montamos um time de qualificação para disputar o campeonato da série A, contratamos Kieza, Willian Farias, Marinho, Victor Ramos, Dagoberto, contratamos o Mancini e mantemos toda comissão técnica e etc.

Infeliz e desgraçadamente duas coisas atrapalharam a nossa jornada, a primeira foi o movimento político periférico, as moscas varejeiras em torno do clube interferiram no desempenho do grupo, fato que aconteceu esse ano de forma perversa e quem está dizendo isso é o torcedor Raimundo Viana. Segundo, nós tivemos uma queda terrível com a contusão do Marinho, que se machucou contra o Grêmio e ali perdemos de 1 a 0. A partir daí foram derrotas contra o Flamengo, Ponte Preta e Sport e conseguimos empatar com o retorno do Marinho contra o Fluminense, quando ele fez gol e ainda deu assistência e aqui para nós fomos garfados com um pênalti que não existiu. Mesmo assim batemos nossa permanência na primeira divisão com uma rodada de antecedência contra o Coritiba, gol por sinal do Marinho.

Não fizemos uma bela jornada, mas é explicável. Você pode até dizer que poderíamos ter contratado um jogador para ser substituto do Marinho. Mas sabemos que é muito difícil montar um time com todos jogadores parelhos e infelizmente essas coisas aconteceram. Mas é preciso dizer que em 2016 era preciso resgatar algumas carências, o Vitória só tinha o campo do Barradão para treinamento e pedíamos pelo amor de Deus para pedir para treinar em Pituaçu e olhe que tenho trauma com esse negócio de treinamento, pois lá atras já treinamos na praia, no Sesc, na Polícia Militar. Então era preciso recuperar essa estrutura no Barradão, fizemos seis campos de treinamentos, recuperamos todas instalações da divisão de base.

O ano do Vitória era 2017, porque os alicerces estavam prontos, deixamos inclusive dinheiro em caixa com aproximadamente 20 milhões em depósito, mais o dinheiro da venda de Marinho e o passe do Ramon. Enfim, fizemos muitas coisas para servir de apoio de um crescimento futuro. Marcelo por exemplo, um jogador que podia atuar em todas posições do meio de campo venderam. Mas não sou homem de olhar pelo retrovisor, acho que as circunstâncias atuais não são tão adversas.

– Quem assumir o Vitória agora terá um conselho que foi formado na última eleição. Como lhe dar com essa questão e a política dentro do Vitória?

Não vejo o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal do Vitória politicamente aliados fora das linhas do clube, considero conselhos do Esporte Clube Vitória e não da corrente A ou B. Se um presidente não tiver condição de dialogar com aqueles que pensam diferente dele, vai ser outra coisa e não presidente. O presidente tem que ter a capacidade de mostrar àqueles que pensam diferente o seu posicionamento e até mesmo abrir espaço para os que pensam diferente.

Sou conselheiro do clube, de modo que imaginar que um conselho vai ser entrave para o desenvolvimento é pensar rasteiro e me recuso a pensar nisso.

– Em relação a divisão de base do clube, o Vitória perdeu um garoto quera tido como um joia, o Ian. Além disso ver Wesley Carvalho reestruturar a divisão de base do Palmeiras. Como reestruturar a divisão de base do Esporte Clube Vitória?

Esse é um grande desafio. Para um clube ser grande é preciso ter três coisas: uma Arena, divisão de base bem estruturada e uma grande estrutura de marketing para alavancar a marca e atrair recursos.

Obviamente que tem que se olhar a divisão de base com muita atenção, já classifiquei-a como uma fábrica de talentos e ela tem que voltar a ser. Fico orgulho em ver os talentos por aí.

– A Arena Barradão foi um projeto apresentado em sua administração. Esse projeto continua em mente?

Para quem viu o Barradão pela primeira vez, não pode jamais tirar da cabeça o sonho de ter uma Arena lá. Hoje nosso santuário nos dar orgulho, aquilo é um sonho que se tornou realidade. Tenho parente que é tricolor que fala da força aérea Rubro-negra, que eram os urubus e hoje aquilo é um paraíso, orgulho para nós e para comunidade de Canabrava.

Sem dúvida nenhuma que quando pensamos em uma Arena para o Vitória, começamos a imaginar da base. Seria impensável uma Arena com acesso apenas pela Artêmio Valente ou por São Rafael, a Via Expressa Barradão está chegando, hoje você já pensa em sair do Barradão  e chegar no metrô em cinco minutos. Isso é modernização, que viabiliza a ideia de uma Arena. Mas por enquanto o nosso projeto é o de resgatar a auto-estima do torcedor do Vitória, requalificando o futebol do clube para voltar a vencer.

– Você é um torcedor de arquibancada, vai ao Barradão assistir os jogos. O Plano Sou Mais Vitória somente oferece acesso ao torcedor, como mudar esse plano e o que fazer para trazer o torcedor para o plano?

Me permita a vaidade de torcedor. Nós assumimos o Vitória com uma realidade de 2 mil sócios e deixamos com quase 11 mil em menos de 18 meses, então a minha intenção é deixar o Vitória com 40 mil sócios. Não estou dando palpite, nós conseguimos aumentar a quantidade de sócios na nossa gestão, tanto que o nosso propósito era chegar 2017 com 20 mil sócios.

Não é só aumentar o número de sócios, é preciso que você dê vantagens ao torcedor, porque se não você deixa esse sócio dependente da bola entrar e está equivocado. É preciso que o torcedor veja que somando as vantagens oferecidas, o pagamento feito já compensa, independente da entrada no estádio.

Nós temos a alegria de dizer que fomos modernos em nossa gestão, iniciamos a profissionalização de setores do clube, inclusive na área de marketing, que envolve o Sou Mais Vitória. Evidentemente que em um curto espaço de tempo não era possível fazer tudo, mas era preciso começar, me orgulho de dizer que deixei o torcedor vendo o copo no meio.

É importante frisar que não sou candidato de setor nenhum, sou candidato da torcida e sustentado por grupo que me acompanha com lealdade, gratuidade ou qualquer interesse. Esperamos, como disse lá atras quando assumir a presidência, entregar o Vitória em condições melhores das que vou receber. Continuo como torcedor satisfeito em ver o Vitória ganhando campeonato juvenil e infantil em cima do rival, bicampeão da Copa do Nordeste Sub-20, como torcedor fiquei orgulhoso das vitórias fora de casa. Ou seja, não vou olhar pelo retrovisor vendo terra arrasada, não vou redescobrir o Vitória, o que foi feito de bom vai ser mantido ou melhorado.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 830 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Editor, colunista e repórter do Resenha na Rede. Apaixonado pela escrita e pelo Rubro-negro.

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