Foto: Bruno Teixeira / Ag. Corinthians
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Entrevistamos a jogadora paulistana Carina Gomes Fernandes, ou melhor, Cacau, atleta corintiana (desde 2016) que é uma das referências no forte elenco do Timão. A atacante que dispensa comentários e goza de grande prestígio diante de uma carreira repleta de vitórias, sem perder a simplicidade, conversou com o Turbilhão Feminino e relatou alguns detalhes da sua carreira, confira:

Turbilhão Feminino – Como começou a relação com o futebol?
CF – Comecei a jogar futebol como toda garota no Brasil, na rua, com os moleques, porque não tinha muita menina jogando. Naquele tempo, às vezes, era somente eu jogando no meio dos meninos. Na escola também jogava no meio deles, era difícil a aceitação ainda do futebol para mulheres. Era complicado, na Educação Física era bola de vôlei para as meninas e bola de futebol para os garotos, então eu sempre estava com eles. O curioso é que eu nem sonhava em ser jogadora de futebol, naquela época dificilmente uma garota sonhava em ser jogadora, era meio que zero essa possibilidade. A gente não tinha referências pra seguir.

TFF – Como foi sua trajetória até chegar ao Corinthians?
CF – Já no ensino médio eu fui estudar no Colégio Jácomo, na Freguesia do Ó. Foi onde eu conheci a Stella (jogadora do Palmeiras), Camila Nobre (ex-Audax) e Jessiquinha do Futsal, as três jogavam no time da escola. Um dia fui lá treinar com ela e o Alemão (treinador da equipe na época) me chamou pro time. Eu ainda não ligava muito mas aceitei jogar, daí comecei a competir e gostei, tínhamos um time muito bom e dali fui seguindo. Nesse momento começou a minha carreira no futebol (primeiramente no futsal). No terceiro colegial jogamos contra o time da UniSant’Anna e aí o Tchelo (treinador) chamou o time titular inteiro pra jogar lá e nos ofereceu bolsa de estudos na universidade. De lá começamos o nosso caminho. A faculdade fez parceria com o São Caetano e, pela primeira vez, passamos a receber pra jogar.  Depois fui jogar em Salto, onde fiquei morando no alojamento. Passei pela Espanha em 2008/2009 e no ano seguinte fui para a Portuguesa(SP). Em 2011, no  Centro Olímpico (SP) conheci a atual comissão técnica do Corinthians e eles já eram muito profissionais. Joguei também na Ferroviária, foram diversos clubes até chegar ao Corinthians em 2016.

Bruno Teixeira / Ag. Corinthians

TFF – Para você qual é a importância da base na formação das atletas?
CF – Muito importante. As meninas de hoje não vão passar pelo que nós passamos. Nós não tivemos base, não existiam projetos voltados para o futebol feminino, tanto que nem passava pela minha cabeça tornar-me jogadora. Hoje, desde pequenas, meninas já jogam entre meninas.

TFF – Qual foi o seu gol mais marcante pelo Corinthians?
CF – Tenho alguns (risos), mas um gol que é muito especial pra mim. É sempre bom lembrar do gol da vitória naquele 1×0 sofrido, bem Corinthians. Foi num jogo contra a Ferroviária que é o meu ex-clube, eu estava no banco sendo poupada, em 2018, e era um jogo muito duro como sempre é. O jogo ficou 0x0 até o final e quando eu entrei, em um dos meus primeiros lances, fiz o gol numa jogada muito bonita. Foi um gol de canhota, de primeira. A torcida estava lá e eu sou corintiana, fui correndo pra eles. Trata-se de um gol marcante na minha carreira e que eu guardo na memória por todos esses motivos.

Bruno Teixeira/ Ag. Corinthians

TFF – Como foi a sua experiência no exterior?
CF – Fui para Espanha, primeiro país que saí pra jogar futebol. Foi uma experiência muito bacana, cheguei lá bem “crua”, não sabia falar espanhol e foi bem difícil pra me comunicar no início, além disso cheguei no meio do inverno, o que também dificultou. Mas minha amiga, Vânia, que já jogava lá me ajudou muito. Foram apenas três meses, primeiramente, até voltar para o Brasil, porém rapidamente retornei para jogar em uma outra equipe que era da primeira divisão. O curioso é que naquela época (2009) já existiam três divisões, eles já eram bem desenvolvidos no futebol feminino apesar de não terem muitos valores. No entanto, as meninas, num geral, ainda não viviam do futebol, mas em termos de organização elas estavam anos luz a frente do Brasil. Tive que me virar e consegui aprender a língua.

TFF – Como tem sido manter a preparação física durante a parada?
CF – No começo estava muito difícil, pois estávamos acostumadas como uma rotina, ainda não está fácil, mas estamos mais adaptadas a treinar sozinhas. Ninguém imaginava que o Corona Vírus chegaria no Brasil tão rápido, inclusive fomos avisadas do cancelamento do jogo contra a Ferroviária apenas um dia antes. Foi tudo muito de repente, um grande baque. Mesmo assim a nossa comissão conseguiu se organizar e refazer um planejamento de 20 dias com treinos em casa. Ficamos poucos dias sem treinar e já tivemos acesso ao que fazer individualmente. Respondemos questionários pra ajudar na metodologia deles e até hoje tem sido assim. Todos os dias eles mandam o treino tentando diversificar ao máximo pra gente não enjoar. Estamos trabalhando de forma conjunta mesmo separadas e sempre participamos de reuniões online. Dentro do possível estamos buscando manter a forma, pois o Corinthians soube se planejar, agora é esperar mesmo o que vai acontecer.

Edição: André Chagas / Fernanda Barros – @turbilhaofeminino

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