Em ano de afirmação de Ramires, experiente Guilherme é a melhor opção para ser o camisa 10 do Bahia

Ramires está em treino com a Seleção Brasileira Sub 20 na Granja Comary

Para boa parte da nação tricolor, a camisa 10 para a temporada de 2019 já tem um dono certo, principalmente com a saída de Zé Rafael, hoje no Palmeiras. A jovem, promissora e talentosa cria do Fazendão: Ramires. A joia de 18 anos fez por merecer todos estes adjetivos, após o ótimo Brasileirão. Além disso, está na Seleção Brasileira Sub-20 que disputará o Sul-Americano da categoria no Chile e foi até sondado por times europeus, como o Borussia Dortmund-ALE, Arsenal-ING, entre outros.

Passar o mítico número para o garoto seria a ordem natural. Porém, a decisão mais sensata, principalmente para não queimar Ramires com a exigente torcida do Esquadrão, seria entrega-la ao recém-chegado e mais experiente Guilherme. O colunista surtou! Calma, amigos. Irei explicar os motivos para que o novo reforço do Bahia seja a principal referência técnica do time de Enderson Moreira, carregue a pesada camisa 10 e ainda ajude o promissor menino de Águas Claras a crescer.

Guilherme, de 30 anos, tem a seu favor passagens por grandes times do futebol brasileiro, experiência internacional e títulos. O meia-atacante jogou nos dois grandes de Minas Gerias – Cruzeiro e Atlético-MG –, Corinthians e Atlético-PR, além de ter atuado no futebol turco, pelo Antalyaspor, e na Rússia, pelo Dínamo de Kiev. Com técnica acima da média e características marcantes, como bom chute e passe preciso, o jogador maranhense também acumula títulos importantes, como Libertadores e Copa do Brasil, ambos pelo Galo, Copa Sul-Americana do ano passado pelo Atlético-PR e Campeonato Ucraniano. Tudo isso é de fundamental importância para suportar a pressão, seja ela da arquibancada ou mesmo de jogos difíceis, decisivos.

Tecnicamente, Ramires tem todas as condições para ser o camisa 10 do Esquadrão. Mas o Bahia tem seu universo particular. É preciso voltar ao passado para relembrar que nem tudo são flores quando o assunto é a prata da casa. E a distância entre o céu e o inferno é menor do que se possa imaginar. Basta recordar que diversos jogadores oriundos da base tricolor, mesmo tendo bom início e alguns que deram certo posteriormente, foram perseguidos e vaiados constantemente pela torcida, independente da posição. E são muitos os casos: Daniel Alves, Anderson Talisca, Cícero, Danilo Gomes, Madson e Elias, isso só para citar alguns exemplos.

Acredito que Ramires será o grande nome do Bahia nesta temporada, mas pode ser o camisa 8, herdar a imortal de Bobô, e jogar o seu futebol leve e vistoso que nos acostumamos a ver. Isso é necessário até mesmo para que ele desenvolva com mais tranquilidade e menos pressão o seu futebol e mantenha um bom relacionamento com os torcedores e corneteiros. Pode ser que, naturalmente, se torne a referência do time, vire até ídolo e renda bons frutos ao caixa do clube numa futura venda para a Europa. Mas espero que Enderson, juntamente com a diretoria, deixe o peso da camisa 10 para o rodado e calejado Guilherme. E, consequentemente, deixe o garoto ter um ano de afirmação e ainda mais promissor dentro das quatro linhas com o manto Tricolor.

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