E agora, José?!

Quando José chegou a Salvador ninguém imaginava que pouco menos de dois anos após seu desembarque no antigo aeroporto Dois de Julho aquele paranaense, vindo do Londrina, jogaria tanto. É bem verdade que pouco tempo antes de acertar com o Bahia ele chegou na Fonte Nova e fez o que quis com a defesa tricolor em jogo que o time do sul do país venceu, com louvor, por 2 tentos a 1.

Intensidade poderia ser mais um dos sobrenomes de José Rafael Vivian, de 24 anos. A torcida pode até reclamar que ele é “delegado”, “fominha” ou que tomou algumas decisões erradas dentro de campo. Mas isso faz parte do jogo e tem aquele ditado: só erra quem tenta. E sem dúvidas ele tentou. Durante os 10.236 minutos que esteve nos gramados Brasil afora com a camisa azul, vermelha e branca, Zé Rafael deixou suor, vontade e personalidade. Esse tempo em campo significa que só de partidas disputadas José tem precisos 426,5 dias: mais de um ano correndo, driblando, roubando bola e defendendo com toda a hombridade do mundo a camisa do time que o projetou.

De uma promessa esquecida do Coritiba, José se tornou um dos melhores jogadores do país e referência técnica do time que mais venceu no Norte-Nordeste. Ganhou títulos e, mais do que tudo, fez parte de uma geração que deu à torcida do Bahia o direito de sonhar os sonhos mais delirantes. Copa Sul-Americana? Poderia chegar! Copa do Brasil? Também! Libertadores? Quem sabe… essa magia da dúvida que hoje permeia a cabeça de boa parte dos mais de 4 milhões de tricolores tem em Zé Rafael um dos seus maiores protagonistas.

Fazer 127 jogos em apenas duas temporadas não é feito para qualquer um. Marcar em clássico, dar passe em final e até perder pênalti em momento decisivo é coisa que vários grandes jogadores já viveram. E aos poucos, José vai mostrando que não é qualquer um.

Há muito tempo a camisa 10 do Bahia não é vestida com tanta dignidade. É bom que se lembre: na última temporada ele deixou de jogar no time que foi campeão brasileiro, à época o Corinthians, pra seguir no Bahia. Quantos fariam o mesmo? 

Lógico que as boas administrações recentes que passaram pelo Bahia também tiveram um papel importante nessa manutenção – mas isso é prosa pra outra conversa. Além disso, a pergunta acima segue valendo.

O ciclo de Zé Rafael no Bahia se encerrou. E com a honestidade de ter começo, meio e fim. O potencial de José ainda é imenso e ele tem a noção de que precisa de novos ares para se desenvolver – infelizmente o Bahia, assim como qualquer time nordestino, ainda não chegou a esse patamar. De toda forma, ele pode bater no peito e dizer que se o Bahia ganhou algum jogo no Brasileiro, final ou decisão… ele estava em campo. Isso mesmo: desde a chegada de Zé Rafael, o Bahia só ganhou um jogo com o camisa 10 jogando. Incrível, não?

Sai do Fazendão como a maior venda da história de nossa região do país com todos os méritos possíveis. E com o direito de ser mais um nos versos que compõem essa infinita canção chamada Esporte Clube Bahia.

É assim que se resume a sua história.

Obrigado, Zé.

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 254 Artigos
Estudante de Comunicação na UFBA, produtor do programa Os Donos da Bola na TV Band e faz de tudo no Resenha na Rede. Oficialmente, editor e repórter do site. Tricolor, viciado em estádio e feliz pela própria natureza.

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