Do sub-23 ao profissional, relembre as trajetórias de Léo Gomes e Gregore

Arte: Vinícius Nascimento/Resenha na Rede

No próximo domingo Bahia e Vitória se enfrentam pela última vez em 2018. Diferente de 2017 quando as duas maiores torcidas da Bahia se viram naquele clássico nervosismo pré-BaVi por incríveis sete vezes, neste ano a cota diminuiu um pouco e se encerrará no quinto BaVi. O clássico será pelo Campeonato Brasileiro e acontece no Barradão, estádio – ou templo sagrado – do Vitória, que está na zona de rebaixamento com 34 pontos e dois a menos que o Sport, o famoso “porteiro da Zona” ou primeiro time fora da zona de rebaixamento. Enquanto o Vitória está afundado no inferno, o Bahia se encontra literalmente no purgatório: ocupando a 11ª colocação após 40 pontos somados, o time de Enderson Moreira está tão distante da Z-4, do rebaixamento, quanto do G-6, da Libertadores. A diferença em ambos os casos é de 6 pontos.

Para o mal ou para o bem, dois jovens que não iniciaram a temporada nos planos das direções de futebol profissional de Bahia e Vitória têm sido fundamentais para os dois times. Do lado do Bahia, Gregore: o camisa 26 é titular absoluto desde que pisou no Fazendão. O curioso é que o volante sequer foi contratado para o time principal do Bahia: quando chegou, os planos eram de que Gregore se juntasse ao time sub-23 do Tricolor, que disputaria o Brasileiro de Aspirantes mais à frente. Mas não foi o que aconteceu. Na carência de volantes com mais pegada já que Nilton começou o ano muito aquém das expectativas, Gregore foi imediatamente integrado ao time que na época era comandado por Guto Ferreira – e ele respondeu muito bem. Hoje, a dúvida sempre gira em torno de quem atuará ao lado do volante de 24 anos. Nilton, Flávio, Edson e Elton que se virem atrás da vaga.

O caso de Léo Gomes não é tão meteórico assim. Aos 21 anos, o garoto natural de Fortaleza, capital do Ceará, é prata da base do Vitória. Neste ele chegou a disputar o Brasileiro de Aspirantes, mas foi puxado pelo técnico Paulo Cezar Carpegiani quando o treinador buscava alternativas para resolver os problemas do rubro-negro no Brasileirão. Após os 5 jogos no aspirantes e o crivo de Carpê, o garoto foi alçado direto ao time titular e estreou com a camisa do Vitória em uma situação dos sonhos para qualquer jogador: Maracanã lotado com 50 mil pessoas em Flamengo x Vitória. Apesar do Leão sair derrotado por 1×0 naquela partida, o desempenho de Léo Gomes foi elogiado e de lá pra cá ele já fez outros 9 jogos.

Contrato renovado

O bom desempenho dos dois jovens valores fez a direção de Bahia e Vitória se adiantarem na renovação de contrato dos dois volantes. Léo Gomes ganhou uma extensão de contrato até 2021 – na época ele tinha jogado em apenas seis partidas, o que foi mais do que suficiente para a diretoria rubro-negra se prevenir e, mais do que isso, premiar o atleta.

Já a operação de Gregore foi um pouco mais complicada. O camisa 26 chegou ao Bahia por empréstimo junto ao São Carlos, time do interior paulista. Na última temporada ele atuou pelo time B do Santos – a equipe que disputa o Campeonato de Aspirantes, também por empréstimo ao time do litoral paulista, que não quis exercer o direito de compra e abriu uma brecha para o Bahia. No seu contrato de empréstimo com o Tricolor, que era até o final de 2018, existia uma cláusula de direito de compra. Como Gregore se tornou um dos principais jogadores do elenco, o Bahia se adiantou na compra desembolsando cerca de 1 milhão de reais pelo volante, que teve seu contrato ampliado para, assim como Léo Gomes, o ano de 2021.

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Infográfico:
Vinícius Nascimento/Resenha na Rede
Fotos:
Felipe Oliveira/EC Bahia | Mauricia da Matta/EC Vitória

RAIO-X

No geral, Gregore tem estatísticas superiores a Léo Gomes. Muitos fatores podem justificar isso, inclusive a quantidade de jogos que cada um disputou: com 30 partidas realizadas no Brasileirão, Gregore tem o triplo no número de jogos realizados pelo garoto rubro-negro, que esteve em campo durante 10 ocasiões.

As estatísticas também falam bastante sobre as características dos dois jogadores. Gregore tem um estilo mais pegador e é o maior ladrão de bolas da Série A. O volante tirou a bola dos pés de seus adversário em 87 oportunidades, o que lhe credencia uma média de aproximadamente 3 roubadas de bola com sucesso a cada partida. Apesar de não ter uma chegada ofensiva tão intensa quanto Renê Jr, que saiu do Bahia na última temporada e deixou saudade na torcida tricolor, Gregore também se arrisca no campo de ataque e já deu duas assistências nesse campeonato Brasileiro – uma delas foi justamente no último BaVi, quando o camisa 26 serviu Tiago com passe de cabeça no terceiro gol do Bahia. A outra foi contra o Sport, quando ele usou de sua principal qualidade, a força física, para arrancar até o campo de ataque e deixar Gilberto livre para abrir o placar.

A força física de Gregore também o torna um dos jogadores mais faltosos do Campeonato Brasileiro com um total de 98 faltas cometidas. Isso quer dizer que a cada jogo Gregore comete mais de três faltas. Um dado curioso é que apesar da quantidade de infrações, Gregore tem apenas 7 cartões amarelos em sua ficha – um a mais do que Zé Rafael, que cometeu pouco mais da metade das 98 faltas de Gregore.

Léo Gomes é um pouco diferente e tem características de um volante mais passador, que organiza o jogo desde a saída de bola. A facilidade de Léo Gomes no passe ficou bem explícita na assistência que o garoto deu para Erick fazer o gol solitário do Vitória contra o Vasco, no Barradão, em partida válida pela 24ª rodada do Brasileirão. Léo dominou a faixa central do campo ao tabela com Léo Ceará e André Lima. Quando recebeu do camisa 99, ele dominou a bola já acelerando o jogo e enxergou a infiltração de Erick antes de dar um passe perfeito para o ponta completar para o gol. Essa foi a única assistência de Léo Gomes no Campeonato.

Na defesa ele cometeu 27 faltas e tomou quatro cartões amarelos. Assim como Gregore, Léo Gomes não balançou as redes nesta edição do campeonato.

BaVis

Enquanto Gregore vai em busca de ganhar o seu quinto BaVi consecutivo (contando com o BaVi de 18 de fevereiro, que acabou empatado no campo por conta da confusão envolvendo jogadores dos dois times e foi para no tribunal, que deu ao Bahia o triunfo por 3×0), Léo Gomes fará sua estreia no clássico. Ele ainda não fazia parte do time profissional durante o último confronto entre as duas equipes.

Caso vença o BaVi do próximo domingo, Léo Gomes ajudará o Vitória a quebrar um tabu que já dura nove jogos. Esse é o período que o rubro-negro não consegue vencer seu rival. De lá pra cá foram 3 empates e 6 triunfos do Bahia. A última vez que o Vitória se deu melhor no clássico foi no primeiro jogo da semifinal da Copa do Nordeste do ano passado, quando o time, à época comandado por Argel Fucks, venceu por 2 a 1 no mesmo Barradão que será palco do jogo no final de semana.

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 269 Artigos
Colunista e repórter. Setorista de Bahia e Vitória. Repórter do jornal Correio.

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