Dia Internacional da Mulher: “”Por muito tempo ouvi que o Jiu-jitsu não era um esporte para mulheres”, Claudinha, faixa preta de Jiu-jitsu

Treino na equipe Zeca Jiu-jtisu. Claudinha aplicando um armlock no parceiro de treino. Foto: Arquivo Pessoal.

Cara fechada, orelha estourada, denominado como casca grossa. Apague todos os seus conceitos prévios ou melhor dizendo, os seus preconceitos e conheça Claudia Brito Bezerra Campelo de Moraes, faixa preta 1 grau, graduada pelo Sensei Zeca. Se achou o nome dela grande, é porque não conhece o arsenal que “Claudinha” guarda nos seus 16 anos de Jiu-jitsu.

Claudinha passando a guarda do parceiro de treino. Foto: Arquivo Pessoal.

Até o final da década de 90, o Jiu-jitsu era tido como uma luta de brigões de rua e foi um percurso muito longo e lento para buscar desfazer essa imagem e revelar também o lado esportivo e competitivo da luta. Foi nesse período que Claudinha deu seus primeiros passos no Jiu-jitsu, encarando os olhares estranhos dentro do tatame.

“iniciei no Jiu-jitsu aos 12 anos, nessa época existiam pouquíssimas mulheres treinando. Comecei a pesquisar sobre o Jiu-jitsu e tive certeza que era naquele esporte que me encontraria”, assegura a faixa preta.

Mais em um esporte tão discriminado, a atleta confessa que teve que quebrar as primeiras barreiras dentro de casa, convencendo os familiares sobre sua decisão em praticar o esporte.

“Por muito tempo ouvi que o Jiu-jitsu não era um esporte para mulheres. Inclusive, em casa nunca tive incentivo nesse aspecto. Sempre existiu o mito de que o esporte era muito pesado para uma menina, “aparentemente tão frágil”,  praticar. No começo foi estranho, uma menina sempre sozinha em um ambiente masculino. Mas fui abraçada pelos companheiros de treino que em sua maioria se mostravam muito solícitos”, revela Claudinha ao Resenha na Rede.

Pode passar despercebido, mas a faixa preta fez questão de frisar na sua fala que os companheiros, “em sua maioria se mostravam solícitos”. Afinal, não deve ser tarefa fácil se impor em universo masculino e ela não esconde esse fato.

“Sempre fui muito acolhida por onde passei. Mas, já ouvi comentários desnecessários e que não valem a pena ser mencionados. O esporte tem se mostrado cada vez mais aberto ao público feminino e acredito ser uma grande conquista, não só para mulher em si, mas culturalmente falando.

Parceria nos treinos na equipe Zeca Jiu-jitsu. Foto: Arquivo Pessoal.

Existem academias que separam o jiu feminino do masculino, seja por opção dos Mestres ou pelo fatos das mulheres ainda não se sentirem confortáveis em treinar com homens. Claudia acredita que também existe um preconceito nisso, mas que tem que ser quebrado aos poucos.

“Já pude dar aulas para mulheres apenas, foi uma boa experiência. Algumas mulheres ainda não se sentem tão à vontade para rolar com meninos, já que o contato físico é muito direto. Acho importante aos poucos ir desmistificando isso e incentivar a prática do esporte independente do sexo de cada um”, analisa.

Com inúmeros campeonatos ocorrendo na Bahia, surge discussão em relação a premiação diferenciada para mulheres, bem como o número baixo de mulheres que se inscrevem nessas competição. Claudinha acredita que os dois aspectos caminham juntos e ajudam na valorização do esporte para as mulheres.

Existe ainda uma diferença grande no valor da premiação entre homens e mulheres, quando o incentivo estiver de todos os lados, o número de inscrições femininas certamente deve crescer. Além do incentivo dentro da própria academia, que também deve ocorrer.

Foto: Arquivo Pessoal.

Atualmente Claudinha mora na Austrália e tem tido a oportunidade de vivenciar novas experiências com o jiu-jitsu. Ela destaca o respeito que é tratada pelos gringos e como eles enxergam o jiu-jitsu brasileiro.

 “O Jiu jitsu brasileiro fora do Brasil é muito respeitado, tem sido uma experiência incrível. Eles , em geral, são muito assíduos nos treinos e respeitam a hierarquia que a faixa carrega. Fui a primeira faixa preta mulher a ser graduada pelo meu mestre Zeca Moraes, que ensina jiu-jitsu há mais de 30 anos. Para mim é uma honra representar minha equipe fora do Brasil e acredito que essa faixa trás comigo um ar de incentivo para as meninas que desejam iniciar também. Hoje tenho 16 anos de jiu-jitsu e acredito que o esporte contribuiu para formar meu caráter e disciplina.

Claudia Brito Bezerra Campelo de Moraes é faixa preta 1 grau, graduada pelo sensei Zeca, da equipe Zeca Jiu-jitsu (Raíz).

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 755 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e repórter do Esporte Clube Vitória.

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