Coluna: Futebol no interior, sem estrutura não dá

Foto: Reprodução

Olá, pessoal! Eu tenho andado um pouco sumido desta coluna, muito pela falta de tempo, mas também pela falta de assunto, já que a minha principal função é falar dos times do interior. Seja bem ou mal. Depois do Campeonato Baiano, apenas quatro clubes seguiram com calendário até aqui: Juazeirense, na Série C, cujo final foi desaastroso para o futebol baiano, Jacuipense, Vitória da Conquista e Fluminense, que foram meros participantes na Série D. Os demais, entraram em férias, jogadores, direções e assessorias [Se é que possuem].

Alguns desses clubes aproveitaram as “férias prolongadas” para investir em patrimônio. O Jacobina e o Bahia de Feira foram os de mais destaque. O Tremendão deu um passo gigante na modernização e estruturação do clube, inaugurando seu Centro de Treinamento Arena Cajueiro e o Estádio Professor Jodilton Oliveira Souza.

O complexo está situado às margens da BR-324 e foi foi apresentado pelo presidente Jodilton Oliveira Souza para toda imprensa em julho. A praça esportiva possui infra-estrutura para alojamento de 60 garotos de base, 30 atletas profissionais, academia, salão de jogos, auditório para cerca de 50 pessoas, além de capacidade para receber três mil pessoas no estádio. Um investimento pesadíssimo para um clube do interior.

Foto: Ascom/Bahia de Feira

Na última vez que estive por aqui, eu tinha falado que o futebol custava caro, ainda mais no interior. E é verdade. Sem muito orçamento para montar plantéis que possam bater de frente com Bahia e Vitória, os clubes menores visam o Campeonato Baiano como uma oportunidade de arrecadar fundos com bilheteria, premiações com classificações para competições nacionais etc.

Ligado a isso, está o Jegue da Chapada, ou melhor, o Jacobina Esporte Clube, que desde que subiu para a primeira divisão baiana conquistou apenas o título de melhor torcida e musa do campeonato por três anos seguidos. Vendo que isso não renderia muito na participação da equipe, a diretoria jacobinense decidiu inovar.

Foto: Robson Guedes)

O clube treinava e mandava suas partidas no Estádio José Rocha, em Jacobina. Tendo em vista que era necessário dar um salto rumo à modernidade, e acompanhar o desenvolvimento dos demais clubes, o time conquistou, três anos depois, um terreno doado pela Prefeitura Municipal da cidade para a construção de seu Centro de Treinamento para formação de atletas nas categorias de base e treinamento da equipe profissional.

As obras até foram iniciadas, feito limpeza do terreno, para o início da construção dos campos, mas, o grande sonho do torcedor jacobinense, infelizmente, ainda não será realizado na próxima temporada. Segundo a assessoria, a equipe fará a pré-temporada fora da cidade, longe da pressão da torcida.

Outro clube que carece de estrutura, e por outro lado busca se consolidar de vez como a “terceira força do Estado”, é a Juazeirense. Recentemente, em entrevista exclusiva ao Resenha na Rede, o ex-técnico do Cancão, Luís Antônio Zaluar, criticou a falta de estrutura do clube que disputou o Campeonato Baiano, Copa do Nordeste e a Série C, sendo rebaixado na última rodada.

(Divulgação: Juazeirense)

Na avaliação dele, do período em que esteve a frente da equipe e após a sua saída, a carência de estrutura do clube foi o fator crucial para o rebaixamento da equipe: “Acho que a Juazeirense é um clube carente em termos de estrutura. Tem uma logística complicada lá no dia a dia”, disse.

Nas vésperas da disputa inédita do Campeonato Brasileiro da Série C, o Cancão inaugurou seu novo Centro de Treinamento. O centro fica na BR-407, a 10 km do centro de Juazeiro. Até então, o time treinava no Adauto Moraes, estádio que manda seus jogos.

Foto: Reprodução

Um pouco distante da modernização do rival Bahia, o Flu de Feira há alguns anos mantém, com recursos próprios e premiações de participações em campeonatos, o CT Nóide Cerqueira, que por quase dois anos voltou a ser utilizado para treinamentos e concentração dos atletas e comissão técnica. Em 2016, os dirigentes iniciaram um projeto de remodelação da estrutura no CT, principalmente o campo de treinamento, além da concentração dos atletas e outras dependências.

Eu trouxe aqui apenas alguns exemplos de clubes do interior que, se fossem mais organizados, em termos de elenco e estrutura física para trabalhar jogadores da base ao profissional, poderiam entrar no Campeonato Baiano com chances reais de título. Em 2019, teremos a volta de um dos carrascos da dupla Ba-Vi, não em título, mas em grandes jogos disputados em seus domínios.

Atlético empata e garante titulo em casa.(Foto:Reprodução)

Sim, estou falando do Carcará, do Atlético de Alagoinhas, que, embora também tenha pouca estrutura, tem uma torcida fanática, monta bons elencos, com a maioria dos jogadores oriundos do interior do estado e sem muitos medalhões conhecidos. Isso pode ser o diferencial para a próxima temporada.

A minha torcida é que esse clubes que citei, e os demais também, possam vir para a disputa do próximo ano, muito mais organizado tecnicamente, estruturalmente e profissionalmente.

Nos vemos mais adiante…

Eduardo Dias
Sobre Eduardo Dias 105 Artigos
Estudante de Jornalismo (Estácio). Colunista e Repórter do interior.

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