Candidato à vice-presidência na chapa de Binha de São Caetano, Zé Tricolor quer peneiras contínuas e por todo o estado da Bahia

Foto: Vinícius Nascimento/Resenha na Rede

No próximo dia 9 de dezembro o Bahia passará por sua terceira eleição direta. Desde 2014, quando o clube passou por intervenção judicial que culminou com a deposição do presidente Marcelo Guimarães Filho, o clube se tornou democrático e tem sua diretoria executiva e conselho deliberativo escolhidos por sócios ativos através do voto direto. De lá pra cá, o Bahia foi presidido por Fernando Schmidt, que foi eleito para mandato-tampão com duração de cerca de seis meses; e por Marcelo Sant’Ana, que se consagrou vencedor da eleição para o primeiro triênio do clube pós-democracia. A primeira eleição aconteceu em 2013 e, após cumprir mandato de pouco mais de um ano, aconteceu a primeira grande eleição do clube no final de 2014.

Cinco chapas se inscrevem para o pleito executivo, que elege presidente e vice-presidente, deste ano. Os chamados “cabeças de chapa” são Abílio Freire, Binha de São Caetano, Fernando Jorge, Guilherme Bellintani e Nelsival Menezes. Apoiados por Virgílio Elísio, Zé Tricolor, Antônio Tillemont, Vitor Ferraz e Walisson Silva, respectivamente.

Nos próximos dias, o Resenha na Rede trará uma série de entrevistas com o público. O primeiro entrevistado é Zé Tricolor, candidato a vice-presidente na chapa Bahia Campeão dos Campeões, encabeçada por Flávio Alexandre: o folclórico Binha de São Caetano, que não foi o responsável por responder pela entrevista por conta de problemas de agenda. Quando a entrevista foi agendada pelo site, Binha não poderia comparecer porque planejava viajar, pela manhã, à cidade de Recife para acompanhar a partida entre Bahia x Sport.

Foto: Reprodução/EC Bahia

A entrevista aconteceu no último domingo, 19, no café do Cine Museu, no corredor da Vitória. Zé Tricolor apresentou sua chapa, Bahia Campeão dos Campeões, e falou sobre suas propostas para o triênio em relação à divisão de base, montagem de elenco, relacionamento com a imprensa, metas, centro de treinamento e relação com a Arena Fonte Nova. Confira, abaixo, a entrevista completa:

Quem é José Luiz Castro, o Zé Tricolor, e por que motivo você e Binha, da chapa Bahia Campeão dos Campeões, toparam o desafio de concorrer aos cargos máximos do clube?

“Minha trajetória com o Esporte Clube Bahia começa lá atrás, quando era criança na cidade de Castro Alves. Imagine que há trinta anos atrás era muito difícil de se ter acesso aos clubes baianos dentro do interior da Bahia. Quando o assunto era futebol, quem mandava era a Rádio Globo, que transmitia jogos principalmente dos times do Rio. Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense e por aí vai. Meu pai era apaixonado pelo Vitória, assim como meu irmão mais velho. Eles escutavam a Rádio Sociedade, que semanalmente tinha uma mesa redonda para falar dos clubes da Bahia.

Minha mãe era tricolor e esse cara aqui foi de pouquinho em pouquinho pegando gosto pelo Bahia. O time passava por uma década de ouro, chegamos a ser decacampeões baianos e sempre com campanhas respeitáveis no Brasileiro. Além dos vários craques que defendiam o clube. Meu pai nunca deu pitaco sobre quem eu deveria torcer: falava para torcer para quem o meu coração mandasse. E ele batia pelo Esporte Clube Bahia.”

“Chegando aqui em Salvador, pude frequentar os jogos. Estudei na Escola Técnica, que ficava no Barbalho, pertinho da Fonte Nova. Na época eu não podia falar por causa de meus pais [risos], mas já filei um monte de aula para ver o Bahia jogar. O jogo que mais me marcou foi aquele Bahia x Fluminense, pela semifinal de 88. Fui com meu tio. Se já sou pequenininho hoje, imagina na época?! Não conseguia ver quase nada. Os dados oficiais dizem que a Fonte Nova tinha 120 mil pessoas naquele dia. Mas para mim tinha pelo menos 150 [mil]. Eu nunca vi nada igual aquilo. O resto da história você já sabe.”

“O Bahia é algo emblemático, uma coisa que eu não sei explicar. Existem paixões que você só sente, e eu sinto uma paixão muito grande pelo Bahia. Depois do Brasileiro de 88, o time passou fez boas campanhas em 1989 e 1990. Chegou até ser quarto colocado em 1990, quando a semifinal para o Corinthians. A partir daí, começou uma era em que o Bahia caiu bastante por causa de alguns comandos, junto à crescente do Vitória, que passou a ganhar todas do Bahia. Era claro que chegou a hora de ter uma mudança dentro do clube, o clube pedia mudança, então eu comecei a participar de grupos que queriam o Bahia maior, o Bahia mais forte, onde nós pudéssemos ter voz ativa, esses grupos foram crescendo, e eu tinha muita identificação com o clube, tinha participação direta nesses grupos, mas eu queria mais.

Durante a democratização [se referindo à eleição do mandato-tampão, vencida por Fernando Schmidt], eu não consegui colocar uma chapa, foi aí que a gente se preparou direitinho para poder participar. Eu fiquei preocupado porque o prazo para entrega dos papéis foi muito rápido, e o Bahia não poderia ficar sem um presidente, quem iria responder pelo clube?! Série A em andamento, o Bahia, subia, caia, oscilava bastante. Na eleição de Marcelo nós conseguimos concorrer e neste ano o Binha de São Caetano falou para mim “Zé, eu preciso de você para a gente colocar uma chapa”, eu fui pra casa, pensei comigo mesmo, sabia que as chances eram remotas por conta da gente não ter apoio financeiro, só tínhamos apoio de quem era da massa, uma chapa que vem do povo, que vem da arquibancada e todos [eram sócios e, portanto] podiam votar. Visto isso eu aceitei, sabia da dificuldade, por conta da limitação financeira, mas metemos a cara. Binha não se abateu por não ter conseguido [da última vez] e estamos aqui de volta.”

Pegando o gancho e falando sobre a eleição: vocês não estão ligados a nenhuma chapa do conselho deliberativo. Pensando em governabilidade nesses três anos e assumindo que o conselho é um ponto muito importante para a gestão do Bahia, como é que vocês pensam em dialogar com as chapas vencedoras da eleição do conselho deliberativo durante os próximos três anos?

“O conselho deliberativo é composto por 100 pessoas que se organizam na sociedade, inscrevem a chapa e se habilitam através de documentação. Se eu tenho 8 chapas concorrendo ao conselho deliberativo e se você tem essas chapas recebendo votos, é mais que salutar e eu diria que o mais importante é ter representatividade de todas as chapas, quando existem correntes que se elegem proporcionalmente eles estarão representando o torcedor.

Minha chapa e de Binha não conseguiu as 100 pessoas por falta de tempo hábil. Eu ensino em três escolas aqui em Salvador e sou funcionário do tribunal federal. Conheço muitas pessoas, mas não tínhamos estrutura de escritório [falou com ênfase] para levantar as certidões. Federais são 4, estaduais 4, municipais 2: são mais ou menos 11 certidões que você precisa tirar e não são coisas que se tira em 5 minutos. Acontecem problemas como sites fora do ar, por exemplo. O tempo passa e você não consegue organizar tudo.”

Fale um pouco sobre as propostas da chapa Bahia Campeão dos Campeões para o próximo triênio tricolor

“Principais propostas para o Esporte Clube Bahia: vamos lá. Não é novidade para ninguém que se o time não tiver saúde financeira não há como se manter. Sabemos que hoje o Bahia não pode contratar um Everton Ribeiro, que ganha 600 mil por mês. Quanto custa isso em oito meses seguidos? Você não pode gastar mais de 5 milhões em um só jogador. Sem saúde financeira o time não anda.

Pegando outro exemplo, tem times com pouco orçamento que estão na frente do Flamengo. O Bahia por exemplo, está 1 ponto atrás do Flamengo. Ou seja, um time que não tem a folha salarial parecida com o Flamengo [uma das maiores folhas do país] e está a apenas 1 ponto atrás. O Botafogo também é um bom exemplo de um clube que tem um orçamento enxuto e está à frente do flamengo. Primeiro passo que eu penso para o Bahia é não dever a ninguém.”

“Proposta financeira é sanear o clube. Tem a dívida da Cidade Tricolor. Tem que pagar a manutenção que não é barata,  masé um patrimônio que o Bahia não pode perder. Muitos dizem que gasta aqui e gasta ali tendo duas sedes, mas a Cidade Tricolor é um dos CT’s [Centro de Treinamento] mais modernos do Brasil. Quando precisar de uma concentração maior, sem contato com o meio externo… ali é um espaço muito bom para recuperar jogador, na parte fisiológica, parte muscular, parte de estrutura. Eu tive lá, conheci e fiquei encantado, mas sei que custa caro.”

“A marca do Bahia precisa ser melhor explorada. Estamos falando de uma marca mundial. O Bahia joga em Salvador e tem gente em todo país e no mundo mandando um zap pra você sobre o time. Precisamos melhorar o marketing. O Bahia é o único time do nordeste que é nacional. Se formos jogar contra a Portuguesa, colocamos mais torcedores do que os donos da casa. Quando falamos, por exemplo, de ir para o Moisés Lucarelli, colocamos mais torcedor no estádio que a própria Ponte Preta. Em Aracaju colocamos mais torcedores que o CRB. Percebe isso? É preciso explorar melhor.”

Então quer dizer que você pretende seguir o modelo de contratações existente, pautado em avaliação de desempenho e garimpagem em clubes menores?

“Uma das minhas preocupações era que o Bahia investisse nas categorias de base e investiu. Sabe de onde veio Edigar Junio?! Não veio de nenhum time grande da Série A. Você sabe de onde veio um dos craques do campeonato, Zé Rafael?! Não veio de time de Série A, veio do Londrina. Juninho, Renê Junior, jogadores que estavam esquecidos no futebol brasileiro.

O goleiro Jean é da divisão de base. Quando eu vi algumas falhas de Jeanzinho eu fiquei preocupado. No calor da emoção do torcedor eu criticava e meus amigos pediam calma, paciência. Hoje eu reconheço que Jean é um dos melhores goleiros do país, não é à toa que times do Brasil e do exterior querem [contratá-lo]. E tenho que admitir que foi uma aposta feita pelo Marcelo [Sant’Ana], bancou com muita coragem e deu certo, foi uma gestão pé no chão que deu certo, não foi uma gestão que gastou tanto como alguns clubes do Nordeste.”

“Eu acredito na divisão de base. Não quero peneira uma vez no ano: quero peneira em Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus, Ilhéus e etc. Quando você faz uma peneira, você traz bons jogadores. Às vezes a bola não chega para ele, às vezes não tem um jogador que passe a bola para ele. Ou seja, não tem como aparecer em 15 minutos.. há poucos casos que você olha e vê que ali vai virar um craque e o jogador acaba virando um craque.

Outros passam despercebido e acabam fazendo sucesso em outros clubes. O Petros, que está jogando, hoje, no São Paulo, passou pela base do Bahia. Bruno Henrique e Vitor Bueno que jogam no Santos também passaram pelo Bahia, são jogadores que estiveram no clube e não tiveram a devida atenção. Eu quero mais peneiras, com avaliações mais criteriosas, dar mais oportunidades dos jogadores se apresentarem. Essa é uma das minhas maiores propostas: investir muito na base, o Bahia precisa participar de mais competições para que a base possa se desenvolver. É preciso testar os jogadores nada, cada qual em sua função e testar, também, o mesmo atleta outras posições. Temos o exemplo de Éder, que subiu como volante, se firmou como zagueiro e atua muito bem na lateral-direita. Isso aconteceu porque ele passou por várias posições.”

Você tem interesse em ficar com a Cidade Tricolor?

“Isso eu preciso sentar para tomar a decisão com meu presidente. Também preciso ouvir meu conselho deliberativo, o espaço pode ser alugado para equipes de outros estados, para seleções que venham treinar na capital, temos que sentar e ver o melhor, quanto o Bahia tira de TV, quanto tira de Arena Fonte Nova, venda de camisa, publicidade, quais ações eu devo tomar para sanear o clube e até sobrar um dinheiro para investir um pouco mais em categoria de base e um pouco mais em contratação. É preciso, também, ouvir os tricolores, as cabeças pensantes que possam contribuir. Possa se que haja uma tempestade de ideias, mas a gente terá que tomar uma decisão. Não será uma decisão fácil e eu preciso saber de valores exatos, colocar tudo no papel para tomar a decisão.

Ainda assim, acho que o Bahia pode alugar o CT em momentos que o clube não esteja utilizando. [Podemos alugar] para times do interior fazer treinamento, para recuperar jogador. Alugar para seleções que vierem treinar no país. E times de outros estados. Aracaju, Paraíba e Maceió não têm um centro de treinamento do mesmo porte que o Esporte Clube Bahia. Podemos alugar o espaço por um ou dois meses para fazer caixa. Mas precisamos ver tudo na ponta do lápis.”

Como você enxerga a questão do sócio do Bahia atualmente e quais as suas propostas para esse ponto?

“Há pessoas, até mesmo que moram em Salvador, mas não vão a todos os jogos do Bahia. Seja por comodidade, seja porque mora mais afastado da Fonte Nova, seja porque prefere assistir em casa tomando sua cervejinha com seu filho, sua esposa… enfim: há muitos torcedores que fazem isso. Ainda assim, temos a quarta maior média de público do campeonato brasileiro e isso acontece porque temos a maior torcida do Norte-Nordeste. A média é de 20.654, para ser preciso. É uma média boa, mas estamos falando de Bahia. Essa média para o Bahia é pouca. E sabe o que isso quer dizer? Que tem muito torcedor assistindo aos jogos em casa. Torcedor, eu preciso de 100 mil sócios contribuindo com 20 reais para o bem do clube. E eu sei que tem muita gente que faria isso pelo time do coração. A única coisa que eu posso oferecer em troca é o acesso aos clube de descontos que o time oferece.”

Essa proposta é semelhante à Academia do Povo, que o Internacional lançou neste ano?

Não. Essa modalidade não conta com acesso, ainda, ao estádio. Já que é um torcedor que não costuma frequentar, de toda a forma, a contribuição é basicamente por amor ao Bahia. E eu sei que tem muita gente disposta a isso. 100 mil torcedores representaria 2 milhões por mês.”

Foto: Jeruan Araújo/Resenha na Rede

Então é semelhante ao Torcedor de Aço, que já existe e custa dez reais?

“O Torcedor de Aço, que foi feito por Avancini, também dá direito à compra do bilhete. Mas não está mais assim, viu? Há fila para comprar ingresso, o acesso para compra na internet está dificultado. A quantidade de meias entrada está escassa e chegando lá eu vou pegar para rever isso. Mas a ideia é essa. É um associado que não costuma ir para o estádio sempre, apenas eventualmente. Digamos que vá a 3 ou 4 jogos dentre os 19 do brasileirão.”

“Mas esse é o primeiro plano. Além dele também passaremos para outras categorias: Torcedor Azul, Torcedor Vermelho, Torcedor Branco, Torcedor Azul e Vermelho, Torcedor Azul e Branco… até chegar ao último plano que é o Torcedor Azul, Vermelho e Branco. Esses contam com acesso a estádio e outros benefícios de acordo com o preço que for pago.”

A relação entre Bahia e Arena Fonte Nova é um tema polêmico. O time já ameaçou se retirar do estádio e voltar para Pituaçu, se ajeitaram, mas a relação ainda é turbulenta por conta do conflito de interesses entre as partes. Na gestão de Binha e Zé Tricolor: a Fonte Nova continua?

“A Fonte Nova continua. Por duas razões: a identidade do Bahia com a Fonte Nova é muito grande. Isso vem desde que o Bahia deixou de jogar no Campo da Graça. Quando a Fonte Nova foi inaugurada, tinha apenas um anel. Dentro da Fonte Nova o Bahia alcançou suas maiores glórias. Conquistou muita coisa e se desenvolveu lá dentro. Não à toa o estádio enchia bastante, antigamente. Boa parte do torcedor do Bahia vem das camadas mais humildes. A torcida do Bahia é uma coisa interessante porque está em todas as camadas. Há uma diversidade muito grande. É time de massa.

A Fonte Nova fica em uma região central, há acesso pelo metrô e pela própria Lapa. O Dique do Tororó é muito bem servido de ônibus. Então não há razão para deslocar o time para o Pituaçu. Fico feliz que o Bahia, por mais que não seja dono do estádio e é bom frisar isso, tem a possibilidade de escolher jogar no estádio “A” ou “B”. Penso que o Bahia precisa negociar melhor a relação com a Fonte Nova, como, por exemplo, melhorar a entrada, abrir mais portões. Penso que a Arena Fonte Nova pode acolher melhor o torcedor. O Bahia já fez um grande avanço em colocar salas [administrativas] no sétimo andar da Arena Fonte Nova, mas eu ainda acho que isso pode melhor porque ainda há salas que estão ociosas e o clube pode se deslocar para o estádio administrativamente. O estádio pode ser melhor aproveitado e o clube pode criar uma sala para que um pai leve um filho para conhecer a história do clube e assim criar vínculos e novos torcedores. E me antecipo a dizer que não é a hora de aumentar o preço de ingresso. Quem tem grana vai lá pra cima pro Lounge ou camarote. O torcedor com menos grana continua pagando o mesmo preço, ali na casa dos seus 40, 55 reais para ir para o super norte, leste e outros setores, no caso do acesso garantido.”

Candidato à presidência pela chapa Bahia Campeão dos Campeões, Binha de São Caetano só chegou no final da entrevista porque planejava viajar para Recife na manhã daquele sábado. Quem conduziu a “sabatina” foi o seu candidato a vice-presidente, Jose Luiz Castro, o Zé Tricolor.

Você pensa em construir o museu ou a loja oficial do clube?

Sim. Quando você visita a Argentina, especificamente a La Boca, onde fica o estádio do Boca Juniors… é impressionante. Há uma sacada muito boa do marketing do Boca Juniors: eles colocam folders nos hotéis, espalham outdoors pela cidade convidando à visitação da Bombonera. É impressionante. Quem gosta de futebol fica incitado, motivado a ir. É interessante, para quem for a Buenos Aires, guardar um turno para visitar La Bombonera. Lá dentro você vai conhecer a história do Boca Juniors, você tem acesso à concentração, à história contada, os momentos que começou a ganhar do River, seu principal rival. E tudo isso você vai pagando: paga para entrar, paga para ter acesso aos troféus e outros locais bem específicos. Pode comprar livros com o histórico do clube. Aí entra uma coisa interessante: se um cara vem para a Bahia, pode, por exemplo, comprar uma lembrancinha tipo “Fui à Bahia, no estádio da Arena Fonte Nova, onde teve uma das maiores goleadas da Copa do Mundo [de 2014], onde teve a maior quantidade de gols do Mundial… aquele gol maravilhoso de van Persie. Aquele golaço que o cara se esticou todo para dar um peixinho e encobrir o goleiro da Espanha”… aí um holandês, espanhol, argentino vem para cá e cria o interesse de conhecer essas coisas. Naquele estado de emoção que um museu pode criar o cara pode se animar a comprar uma camisa, comprar uma lembrança, um chaveiro que seja. É uma outra fonte muito boa de entrada de dinheiro para o clube.

Por acaso, em uma dessas vezes que fui a Buenos Aires tive a sorte de encontrar um dos gestores do estádio. Perguntei a porcentagem de arrecadação que as visitas geravam para o Boca e ele me respondeu que girava entre 3% e 5% do orçamento total. Você pensa que é pouco? Pegue um orçamento de 100 milhões de reais e imagine quanto é 3%. São 3 milhões de reais. Ou seja, só às custas desses passeios você pode contratar dois jogadores que custem 150 mil por mês. Um Zé Rafael da vida, um Edigar Junio, percebe? Você custeia de dois a três jogadores. Penso que sim, tem que existir. Temos que sentar com o setor de marketing, que terá muito trabalho quando a gente chegar lá dentro.”

Vinicius Nascimento
Sobre Vinicius Nascimento 242 Artigos
Estudante de Comunicação na UFBA, produtor do programa Os Donos da Bola na TV Band e faz de tudo no Resenha na Rede. Oficialmente, editor e repórter do site. Tricolor, viciado em estádio e feliz pela própria natureza.

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