Bellintani banca Enderson, garante salário em dia e fala de cobrança e apoio da torcida do Bahia

Presidente tricolor listou motivos para manter treinador, afirmou pagar em dia e deu detalhes da reunião com organizadas: "Passou mensagem de cobrança e apoio"

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

@Resenhanarede

Ciente da pressão da torcida para que Enderson Moreira seja demitido, o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, resolveu se pronunciar e assumir a responsabilidade pela manutenção do técnico, mesmo com as fracas atuações do time e das péssimas campanhas em todas as competições disputadas.

Mesmo com a eliminação na Sul-Americana e as campanhas ruins no Campeonato Baiano e Copa do Nordeste, além das fracas atuações na Copa do Brasil contra times tecnicamente inferiores, Bellintani aproveitou para justificar os motivos da permanência do treinador.

“Eu, primeiro, acho que o normal no futebol brasileiro, um treinador com os resultados que temos, pela expectativa criada, normal seria o treinador perder o emprego. O Bahia tem procurador agir de forma diferente. Quando a gente analisa os resultados, o automático, se tivesse um presidente populista, a reação seria a demissão do treinador. Mas temos que olhar os motivos do problema. Se não fizer uma mudança na origem do problema, será inócua. O Bahia tem olhado para longo prazo, mesmo que isso custe um desgaste. Não tenho dúvida que uma decisão de permanência do treinador quando todos esperavam a demissão é responsabilidade minha. O normal, o habitual, seria o desligamento”, explicou o presidente.

“Mas vou dar dois ou três motivos que me levaram pela permanência. Primeiro, o trabalho que fez ano passado. Sei que temos um elenco mais fortalecido este ano, mesmo perdendo peças importantes. O pouco tempo da temporada é a segunda coisa. Temos 60 dias da temporada. Muito pouco tempo para tomar uma decisão, mesmo diante dos resultados que estamos tendo. A terceira coisa é a análise geral do trabalho. De ponta a ponta, a gente vê e tenho conversado com cada um, a sensação unânime de que o trabalho é um dos melhores já feitos no Bahia nos últimos anos. Há um caminho para que os resultados venham. Naturalmente a manutenção de resultados ruins força a visão de que, se continuar, teremos que mudar. O Bahia tem diálogo frontal com as pessoas. O treinador sabe que vive de resultados, mas, no Bahia, se os resultados demoram para acontecer isso não gera necessariamente uma avaliação precoce do trabalho”, listou Bellintani.

Bate-papo entre comissão técnica e jogadores (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

Questionado sobre possíveis atrasos nos salários e imagem dos atletas, o presidente negou veemente qualquer problema financeiro: “Não. Nenhuma pendência financeira. O Bahia não atrasa salário nem direito de imagem. No passado, talvez. Hoje, não. Normal, pela cultura de parte da imprensa e de alguns atletas, acharem que vai deixar de jogar por conta de um débito. Mas não tem. O Bahia planeja e honra sua vida financeira. A prioridade é o pagamento de funcionários e atletas”, garantiu.

Assim como os jogadores, o presidente Guilherme Bellintani também teve uma reunião com integrantes de torcidas organizadas do Bahia. De acordo com ele, o papo foi tranquilo. “Reunião ótima. Temos um contato, quando falo que o Bahia tem procurado ser um clube diferente até no momento de crise, é importante que a torcida demonstrou isso. Em vez de chegar para invadir, cometer algum ato mais agressivo, chegou para me encontrar. Procurou o clube, entendeu o momento, ouviu explicações. Passou mensagem de cobrança e apoio. Se a cobrança é feita com cuidado, pode ser incisiva, mas não violenta. Foi isso que aconteceu. Uma conversa de quase duas horas. O Bahia é um clube aberto. Preza pela conversa com a torcida. A cobrança foi firme. O torcedor não deixa de ser duro com o clube se cobra com educação e diálogo. Isso é o que precisamos para passar por essa dificuldade. Foi um saldo positivo”.

 

 

Rafael Tiago Nunes
Sobre Rafael Tiago Nunes 83 Artigos
Editor e colunista. Jornalista e comentarista esportivo. Foi coordenador do Caderno de Esportes do Jornal Massa por oito anos, já foi repórter de esportes, cidade e economia do Jornal Massa. Foi repórter do Caderno 2 do jornal A Tarde e da Rádio Educadora. Atuou também como jornalista na Seinfra (Secretaria de Infraestrutura da Bahia) e na OAB-BA (Ordem dos Advogados). É assessor de imprensa e sócio-diretor da Habemus Comunicação. Formado na Faculdade da Cidade do Salvador e especializado em jornalismo esportivo.

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