BaVi da Vergonha: A fórmula da desconstrução de um discurso perfeito

Foto: Maurícia da Matta

Era 19 de agosto de 2017 , o Vitória conseguiu vencer o Corinthians fora de casa, o sentimento do torcedor era de orgulho e satisfação, afinal o time vencia o líder do campeonato, apresentando uma postura tática que beirava a perfeição. Na ocasião, Mancini foi incisivo em resposta ao repórter da Radio Bandeirantes Felipe Garrafa, levantando a hipótese que o jornalista estava sendo tendencioso em sua análise/pergunta, motivado por um bairrismo da imprensa do Sul com os times do Nordeste.

Nossa, aquilo foi comemorado como um gol, não só conquistou o torcedor Rubro-negro, mas muitos outros torcedores nordestinos se sentiram representados com as palavras do treinador, que com muita classe dava um tapa com luva de pelica na imprensa do eixo Sul-sudeste, que por tantos anos marginaliza o futebol nordestino. Vagner Mancini entrara para história como o técnico que honrou o amante de futebol do nordeste, o sentimento de orgulho estava estampado no escudo de 119 anos do Esporte Clube Vitória.

O mundo do futebol gira em uma velocidade assustadora, mocinhos viram vilões em questão de horas. Após o clássico do último domingo (18), o Esporte Clube Vitória convocou uma coletiva e reafirmou que não houve ordem para que qualquer jogador tomasse o cartão vermelho, provocando o fim da partida.

Até que na segunda-feira pós partida surgiu uma imagem que colocou a honra da instituição em xeque e toda questão moral levantada pelo treinador na ocasião do repórter. A Rede Bahia convocou um especialista em leitura labial, que foi categórico ao afirmar que o treinador autorizou Bruno Bispo receber o segundo cartão amarelo. Segundo o profissional as palavras ditas para o zagueiro Ramon foram: “Pede o Bruno, pode tomar o segundo amarelo”. Já a ESPN convocou dois especialistas que afirmaram que tal exame possui uma complexidade para ser realizado, mas que existe possibilidade da frase ter sido dita pelo treinador do Vitória.

A certeza da frase dita só Vagner Mancini e Ramon podem confirmar. Mas só de existir uma mera possibilidade do conteúdo da mesma, verificada através da análise das imagens, já gera uma sentimento de mancha na história do clube centenário. A torcida desse que vos escreve é que Mancini não tenha dito tal frase, o treinador não merece manchar a sua história dentro do clube, nem tão pouco colocar um carimbo de anti-desportividade na história do clube.

Quem não lembra da “Batalha dos aflitos”, partida em que o Grêmio se recusou a sair de campo após quatro expulsões. A história do BaVi da vergonha poderia ter sido diferente, orgulhando o torcedor Rubro-negro, mas pode ter se tornado uma vergonha na grande história do Esporte Clube Vitória.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 986 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Editor, colunista e repórter do Resenha na Rede. Apaixonado pela escrita e pelo Rubro-negro.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*