Bahia tem obrigação moral de ser campeão Baiano

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

@Resenhanarede

No início da temporada, o presidente do Bahia Guilherme Bellintani e o técnico Enderson Moreira, em comum acordo, resolveram disputar o Campeonato Baiano com um time “alternativo”, uma mescla de atletas do sub-23 e jogadores do time principal pouco usados, como Clayton, e os que se recuperavam de lesões. Isso causou certa desconfiança na torcida e na imprensa, principalmente porque a equipe montada para a disputa do Brasileiro de Aspirantes (sub-23) foi um completo fiasco.

Mas com a diretoria fazendo diversas contratações que empolgaram a nação tricolor, a manutenção de parte do elenco e com o nível técnico do Baianão historicamente fraco, muita gente acabou não dando a atenção devida para o torneio. Mas com as fracas atuações dos times B e principal em todas as competições, juntamente com a precoce eliminação da Copa Sul-Americana, a qual toda a cúpula tricolor tinha grandes planos, a pressão e as cobranças aumentaram e os objetivos começaram a ser redefinidos.

A possibilidade de ficar de fora da semifinal da competição estadual e não depender das próprias forças para avançar mexeu claramente com o brio do Esquadrão. Torcida pedia a cabeça de Enderson Moreira, jogadores fizeram declarações em prol da manutenção do treinador e o presidente Bellintani acatou e, se precavendo, chegou a afirmar novamente que o torneio não era prioridade. Resultado: força máxima nas duas rodadas, que foram clássico Ba-Vi e a “decisão” contra o Jequié no Waldomirão. A classificação veio em forma de goleada (5 a 0), com direito a quatro gols de Fernandão, e uma inesperada derrota do arquirrival Vitória dentro de casa. Para a torcida tricolor, desfecho melhor não poderia existir.

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

Porém, a obrigação do Baêa em conquistar o bicampeonato aumentou, consequentemente, por diversas razões. Entre elas: provar, na prática, que há uma hegemonia azul, vermelha e branca no Estado – nos últimos 10 anos (2008 a 2018), o Vitória ganhou seis títulos e o Bahia quatro; a falta de um rival à altura nas fases finais; além de provar, em campo, que o elenco montado está à altura da expectativa criada em cima dele, até mesmo porque Enderson vai escalar o time principal, com o que tiver de melhor à disposição, a partir de agora, e que os atletas estão realmente “fechados”, como garantiram.

Consequentemente, possíveis boas atuações, aliadas aos triunfos, darão moral suficiente para que o elenco recupere definitivamente a confiança e consiga vencer os jogos que faltam para avançar de fase também na Copa do Nordeste, na qual ocupa a quinta colocação e está fora da zona de classificação. Fazendo o que se espera dele, o Tricolor, dessa forma, entraria nas quartas de final com a mesma moral que iniciou o torneio: favorito ao título.

Mas isso tudo depende, exclusivamente, de bola na rede. Enderson precisa entender e usar melhor as opões que têm em mãos, ter uma maior variação tática dentro de campo e extrair o máximo possível dos atletas, até mesmo para que dê um “bico” nas críticas e desconfiança da nação tricolor. Por outro lado, já que os jogadores assumiram a culpa e pediram um voto de confiança para o treinador, também se espera que eles se doem mais nas partidas, que mostrem garra e vontade de vencer, coisa que não foi vista em grande parte dos jogos. O que se via, normalmente, era um elenco sem gana, soberbo e tendo como único trunfo a posse de bola, que eu posso chamar de estéreo, já que não tem infiltração de meias e extremos, com dificuldade de furar as defesas rivais e na criação.

Algumas coisas posso garantir: o Jequié não é parâmetro de evolução técnica, mas valeu pela entrega e garra; e o Bahia tem 100% de obrigação de levantar a taça de campeão Baiano, pela história, pelo investimento, pelo elenco e para mostrar que é um time organizado e competitivo, tanto dentro, quanto fora de campo.

Rafael Tiago Nunes
Sobre Rafael Tiago Nunes 152 Artigos
Editor e colunista. Jornalista e comentarista esportivo. Foi coordenador do Caderno de Esportes do Jornal Massa por oito anos, já foi repórter de esportes, cidade e economia do Jornal Massa. Foi repórter do Caderno 2 do jornal A Tarde e da Rádio Educadora. Atuou também como jornalista na Seinfra (Secretaria de Infraestrutura da Bahia) e na OAB-BA (Ordem dos Advogados). É assessor de imprensa e sócio-diretor da Habemus Comunicação. Formado na Faculdade da Cidade do Salvador e especializado em jornalismo esportivo.

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