Adriana Araújo: com a vida nos punhos

Natural de Salvador Bahia, Adriana dos Santos Araújo ou Adriana Pitbull, 35 anos, possui o maior nome do boxe feminino baiano e brasileiro. Pode ser dito que ela entrou no boxe por acaso. Aos 18 anos uma amiga apresentou ela ao professor Rangel Almeida, na busca da perda de peso depois de parar as atividades com o futebol, mas Adriana revela que sempre foi amante do esporte. Percebendo o talento da garota, Rangel Almeida a levou oito meses depois para treinar na academia Champion com Luiz Dórea.

São nove títulos brasileiros, sete títulos pan-americanos, medalhista de ouro nos Jogos Sul-americanos de Medelín (2010) e tem na maior conquista da carreira olímpica a medalha de bronze dos Jogos de Londres (2012).

Foto: Arquivo Pessoal.

Com esse currículo invejável, Adriana aborda as grandes dificuldades vivenciadas pelos atletas do pugilismo. “O país sempre teve essa dificuldade de promover os esportes, somos o país do futebol, os outros esportes só são vistos de quatro em quatro anos. Levantei o boxe feminino brasileiro mundialmente e só vim conseguir ganhar dinheiro após dez anos de carreira na seleção brasileira, depois de ser campeã de diversas coisas. E os meninos que não conseguem resultados nenhum ganhavam dinheiro, desabafa Adriana ao Resenha na Rede.

A pugilista defende o esporte como inclusão social, ferramenta que o governo poderia utilizar para formar não só atletas, mas cidadãos. Nessa linha, a prefeitura de Madre Deus (BA) inaugurou um centro de treinamentos para jovens e instituiu que as artes marciais devem ser inseridas nas escolas a partir da 5ª série. Adriana destaca a importância de tais programas.

“O Governo ao que parece ainda não entendeu que o esporte gera uma inclusão social e forma cidadãos. O prefeito de Madre de Deus está de parabéns, porque o país tinha que ter ele como exemplo e fazer isso em todos Estados brasileiros. O Governo Federal hoje busca construir presídio, somos formados por educação e isso vem através dos esportes também. Que Salvador tome isso como exemplo, tornar os alunos não só atletas como em cidadãos do bem, a arte marcial tem esse poder”, disse Adriana.

Além do governo, a atleta acredita que a falta de apoio da mídia influencia totalmente na escassez de patrocínios. “Aqui na televisão você só ver Bahia e Vitória, quem são esses times próximos de um atleta olímpico? Nada! O que faz o cenário mudar é a mídia. Então não existe empresários e promotores porque a mídia não apoia. Tenho amigas tratadas como estrelas na Inglaterra e Irlanda, aqui os atletas que você viu em 2016, só verá em 2020”.

O BOXE PROFISSIONAL

Adriana deixou a Seleção Brasileira de Boxe após as olimpíadas do Rio de Janeiro, ingressou no boxe profissional. Uma decisão nada fácil, que fez a lutadora perder patrocínio e renda.

Foto:Arquivo Pessoal.

“Logo após 2016 passei passei para o Boxe profissional, acabei perdendo as bolsas que exisstiam enquanto defendia o esporte olímpico. Estreei no boxe profissional em 17 de junho de 2017, fiz a segunda luta em setembro e surgiu uma uma dificuldade imensa, porque a empresa promotora que realizava os eventos e promovia as lutas quebrou. Fiquei afastada durante quatro meses e retornei a treinar há dois meses. Passei a trabalhar com outras coisas, porque temos que sobreviver de alguma forma, voltei a dar aula, trabalhei de Uber (aplicativo)”.

Mas os retornos aos treinos já trouxe bons frutos para atleta, Adriana revela que conseguiu entrar no programa Faz Atleta, além de ter o patrocínio da Bahia Gás. Parte desse apoio foi conquistado através da ajuda de Olivia Santana, “tudo foi através dela (Olívia), uma pessoa que não dei tanta credibilidade. Não sou política, mas ela me fez acreditar que existem pessoas do bem dentro da política, me deu essa ajuda e me animou a voltar a lutar”.

Com a expectativa de realizar sua terceira luta na categoria profissional, a boxeadora voltou a treinar com Rangel Almeida, que esteve presente no inicio da sua carreira. Mas por muito tempo seu treinador foi Luiz Dórea, com quem conquistou todos os títulos da carreira.

“Luiz Dórea é um formador de campeões dentro e fora dos ringues, tem muito exemplo para passar para os atletas, ele continua sendo um exemplo para mim, foi um reflexo de pai em minha vida. Luizinho fez um trabalho importante em minha vida e conseguiu lapidar o diamante, me ajudou a conquistar vários títulos internacionais e nacionais. Mas Dórea está muito corrido com o Robson  (Conceição) e o pessoal do MMA e viaja muito, tem que ficar muito tempo fora. Retornei a treinar com Rangel, um  momento muito importante porque estou resgatando o que fazia no inicio da minha carreira, o estilo de boxe. Porque a gente passa anos na seleção e acaba perdendo a essência e estou buscando a voltar ser a Adriana Pitbull”, confidencia Adriana.

‘A VIDA NOS MEUS PUNHOS’

Foto: Arquivo Pessoal

Com uma história de superação, a vida de Adriana virou um livro biográfico escrito por Rubem Costa, que está presente na vida dela desde o tempo de Seleção Brasileira, pois era o psicólogo da equipe. “Ele sempre brincou comigo que a minha história poderia se tornar um livro, tudo ficou sério e tornou-se minha autobiografia. Graças a Deus o lançamento foi bastante estourado aqui em Salvador e em São Paulo, para minha carreira e vida pessoal foi muito bom”.

Agora Adriana pretende realizar mais três lutas na categoria profissional para começar uma carreira internacional e buscar o cinturão da categoria até 63,5 kg. Ninguém é louco de duvidar que ela conseguirá.

 

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1011 Artigos
Advogado. Estudante de Jornalismo (Estácio). Editor, colunista e repórter do Resenha na Rede. Apaixonado pela escrita e pelo Rubro-negro.

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