A cultura do “fora treinador”

Foto: Reprodução.

O que seriam de figuras como Massimiliano Allegri (Juventus), Leonardo Jardim (Mônaco), Mauricio Pochettino (Tottenham),  Diego Simeone (Atlético de Madrid), Arsène Wenger (Arsenal), se tivessem no futebol baiano? Provavelmente apenas treinadores sofrendo pressão após três meses do inicio da temporada.

A realidade dos treinadores brasileiros é basicamente a mesma, uma vitória na quarta-feira para ganhar sobrevida no domingo. Nesse passo segue o medíocre (de médio) futebol brasileiro.

Nas bandas do futebol baiano, os treinadores Marcelo Chamusca e Enderson Moreira já ouvem das arquibancadas e da imprensa especializada o tão famoso “Fora treinador”. No Vitória, Chamusca tem inacreditáveis três meses de trabalho. Do lado Tricolor, Enderson tem o tempo de uma gestação, nove meses.

Marcelo Chamusca 

Foto: Maurícia da Mata/ECV.

Mergulhado em uma crise administrativa e com um rebaixamento na conta, o Vitória foi buscar Marcelo Chamusca. O treinador chegou com apenas uma missão: colocar o Vitória na Série A. Pelo correr dos fatos, nem lá vai chegar. O time ainda não ganhou na Copa do Nordeste e segue claudicando no Campeonato Baiano, mas repito: Chamusca chegou com uma missão.

Torcedores e parte da imprensa esportiva estão cobrando padrão tático, boas atuações e resultado. Cobranças devem existir, mas o Vitória ainda está em formação, com jogadores novos chegando e sendo regularizados a todo momento.

Pela grandeza do clube é difícil aceitar que o mesmo tropece no estadual e no regional, mas é preciso entender o momento que o clube vive e permitir que seja iniciado um trabalho. Não tem como exigir que o Vitória já tenha padrão definido, enquanto passa por uma grande reformulação e vive um desastre administrativo.

Enderson Moreira

Três meses foram necessários para tirar o treinador Tricolor do céu e levá-lo ao inferno. Enderson chegou ao Bahia em junho de 2018, durante o Campeonato Brasileiro chegou a ter seu time elogiado pelo técnico Luiz Felipe Scolari e pelo treinador da seleção brasileira, Tite.

Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

A campanha sólida empolgou torcedor, diretoria e imprensa. Enderson renovou o contrato e a direção do Bahia definiu: a Sul-Americana era a competição possível em 2019, devido a boa campanha do time em 2018 (O Bahia parou nas quartas de final). Mas o time saiu na primeira fase do torneio internacional, sendo eliminado pelo Liverpool-URU.

O Bahia corre sério risco de ficar fora da fase semifinal do Campeonato Baiano, coisa que não acontece desde 2003. Outro risco é ficar fora das fases finais da Copa do Nordeste. Na Copa do Brasil, o time segue vivo e com possibilidades de seguir adiante.

Apesar do número de jogadores contratados para temporada 2019, Enderson perdeu peças fundamentais no seu time como Zé Rafael e Régis. Os jogadores que chegaram ainda não foram capazes de dar uma resposta em campo, até mesmo porque peças como Arthur e Shaylon estão ainda em formação e chegaram no clube como solução.

Enderson já provou seu lado treinador no ano passado. Nesses três meses iniciais da temporada a diretoria o preserva sabiamente, pois sabe que no mercado as opções são de médias para ruins e um novo treinador terá que recomeçar tudo do zero, mas esbarra na cultura do “fora treinador”.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1307 Artigos
Editor, colunista e repórter. Produtor do programa Os Donos da Bola (TV Band). Advogado.

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