‘A Bahia é um celeiro de campeões’, entrevista com Luiz Dórea

Foto: Resenha na Rede.

@Resenhanarede

Pelas mãos de Luiz Dórea já passaram atletas como o de Acelino Popó de Freitas, agora Robson Conceição no boxe, além de feras do MMA como Rodrigo Minotauro, Junior Cigano e Anderson Silva. Além de vários campeões continentais, latinos e sul-americanos. O site Resenha na Rede revela a segunda parte da série, na qual ele fala sobre a academia Champion e o trabalho além da formação de campeões, fazendo a inclusão social de jovens. A entrevista faz parte de uma série elaborada pela equipe do site. Confira a segunda parte logo abaixo.

Pelas mãos de Luiz Dórea já passaram nome de atletas como o de Acelino Popó de Freitas, agora Robson Conceição no boxe, além de feras do MMA como Rodrigo Minotauro, Junior Cigano e Anderson Silva. Além de vários campeões continentais, latinos e sul-americanos. O site Resenha na Rede revela a segunda parte da série, na qual, o treinador fala sobre a academia Champion e o trabalho que vai além da formação de campeões, buscando a inclusão social de jovens. A entrevista faz parte de uma série elaborada pela equipe do site. Confira a segunda parte logo abaixo.

O treinador faz questão de destacar que não é um trabalho individual, mas realizado por todos aqueles que formam a equipe Champion.  “A grande maioria dos atletas com resultados passaram por nossa mão, pela Champion. Onde não sou só eu que trabalho. Tem meu filho Luiz Dórea Junior que é um dos técnicos, professor Marquinhos, Marcos dos santos, Élber Passos, André Caio, são as pessoas que fazem, que me ajudam.

Hoje a vida do treinador é entre o Brasil e os EUA, onde faz o camping dos atletas que treinam com ele ao longo das temporadas. “Estou nos EUA, primeiro treinando o Robson que lutou e venceu e agora tô aqui com Cigano que luta dia 14 de Julho. Minha vida é Salvador EUA, nessa correria e nossos treinadores lá dão continuidade ao trabalho”, diz Dórea.

Para Luiz Dórea o dom o atleta traz consigo, mas o trabalho do treinador é que aperfeiçoa e molda os campeões. “É um trabalho técnico, tático, uma metodologia de treino para que esse talento continue evoluindo e graças a Deus a gente consegue fazer isso. A gente consegue pegar pessoas que querem, de origem muito humilde e consegue mudar a vida de muita gente com o nosso esporte, o boxe”, pontua.

Foto: Reprodução.

O CELEIRO CAMPEÕES

A Bahia é um celeiro de lutadores amadores e profissionais, o site @resenhanarede realizou entrevista com Dilsinho Lima,  campeão latino-americano (2006), mas que não conseguiu se firmar no boxe profissional. Dórea acredita que a falta de apoio é responsável pelo desperdício de tantos talentos no Estado.

Nós temos muitos talentos na Bahia e Dilsinho Lima é um deles. Muitas vezes ficam no meio do caminho por falta de apoio. Os atletas começam muito jovens, se dedicam, mas chegam a um ponto que constroem famílias e estas começam com a pressão para que trabalhem. A gente tem que mudar a cabeça dos nossos gestores, tem que ter a sensibilidade pra apoiar o esporte na base, dar continuidade. Dilsinho Lima é um atleta que conseguiu ser campeão sul-americano, talentosíssimo, aluno do meu amigo irmão Joílson Santana, que é o presidente da Federação Baiana, que fez uma carreira fantástica com Dilsinho. Joílson também foi atleta olímpico, o nosso primeiro atleta olímpico. A nossa Federação Baiana é a mais atuante que existe. Sem nenhum apoio consegue fazer 10 a 12 campeonatos por ano. Formamos muitos campeões olímpicos, mundiais, reconhece Dórea.

Outro ponto apresentado pelo treinador fica por parte das empresas, que para ele não possuem sensibilidade em apoiar o esporte. Assim como o governo deve olhar de verdade para o esporte, “o governo hoje tem o bolsa estadual, mas a prefeitura precisa criar o bolsa municipal para os atletas e para técnico. A Bahia é um celeiro de campeões. Imagina, já ganhamos tantos títulos sem apoio, imagina isso com apoio. A única ajuda que tivemos foi do nosso senador Otto Alencar, que nos conseguiu a Bahia Gás em 2012 mais ou menos. “, desafia o técnico.

Foto: Reprodução.

Em contrapartida, outros nomes conseguem se manter em alto nível no boxe baiano e a bola da vez é Robson Conceição, também treinado por Luiz Dórea.

– Robson sem dúvida, hoje pela sua grande conquista do ouro olímpico, é o grande nome do boxe brasileiro e mundial. Ele começou comigo na Champion muito cedo, hoje tem 29 anos, mas iniciou com uns 14 anos. Tem uma relação de família, relação de confiança muito grande. Sempre digo que meus atletas são a extensão da minha família. Nós temos uma grande família, que é a família do esporte. A gente tem essa relação de confiança, já conheço ele muito bem, a gente convive muitos anos juntos, tudo isso facilita e ele é muito disciplinado.  Ele é um campeão dentro e fora do ringue.

O trabalho realizado na academia Champion é reconhecido mundialmente e Dórea acredita que tudo é bem feito pelo fato dos atletas serem formados para vida dentro da academia. São 28 anos de funcionamento com o projeto Campeões da Vida, funcionando na Ladeira do Ypiranga, n° 85 no bairro Cidade Nova, em Salvador Bahia. Mais de sete mil crianças já passaram por aqueles ringues.

Criamos o projeto porque eu sei a dificuldade de quem quer começar. Graças a Deus tive o apoio de meus pais, meu pai era petroleiro, faleceu, minha mãe secretária do Estado e me deram a condição para treinar. Abdiquei de muita coisa pra ter conquistas como atleta e como técnico, então minha família é a base de tudo. Hoje meu filho Luis Dórea Filho e minha filha Laila tocam a Champion junto com os amigos e professores que nos ajudam, tem meu sócio Luis Fernando, somos uma grande equipe e uma grande família. As vezes o atleta não tem o que comer em casa, não tem transporte pra ir e conseguimos, graças a Deus, abraçar um, abraçar outro, dando cesta básica a um, o transporte pra outro e conseguimos manter eles focados, fala Dórea em tom de desabafo.

O ESPORTE COMO INCLUSÃO SOCIAL

Dórea trata o esporte como ferramente de inclusão social e enxerga no boxe uma maior facilidade de atingir o jovem, até mesmo porque a nobre arte é muito praticada nos locais mais humildes.

– A gente consegue entrar em todos os lugares, resgatar muita gente. Falo com propriedade, já conseguimos mudar a vida de muita gente, formando mais cidadãos e mais campeões dentro e fora do ringue. Então o projeto é isso ai, pra mudar a vida das pessoas, nosso primeiro pensamento é formar cidadãos. Apesar da dificuldade de não ter apoio, já conseguimos todos os títulos possíveis. Nenhuma academia no mundo, modéstia a parte, conseguiu tantos títulos com tantos campeões formados na base como nós.

Foto: Reprodução.

Na busca desse trabalho de inclusão social e de base esportiva, a cidade de Madre de Deus inseriu nas escolas de tempo integral artes marciais como boxe. O município inaugurou no inicio do mês de julho um grande centro de treinamento, que contará com a coordenação de Luiz Dórea na Seleção de Boxe.

– Eles estão de parabéns, peço muito a Deus que o trabalho feito em Madre de Deus sirva de exemplo para outras cidades, em especial Salvador. Que invistam mais em artes maciais, que exista o bolsa municipal e estadual para os atletas e seus treinadores, porque é muito difícil ser atleta e treinador na Bahia, afirmou Dórea.

Osvaldo Barreto
Sobre Osvaldo Barreto 1331 Artigos
Editor, colunista e repórter. Produtor do programa Os Donos da Bola (TV Band). Advogado.

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